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Acessibilidade nos trens ainda não é realidade em Nilópolis

Acessibilidade nos trens ainda não é realidade em Nilópolis
Cadeirante precisa de ajuda para acessar a Estação. Foto: Via Whatsapp

A estação de trem de Nilópolis não está pronta para receber passageiros que tenham dificuldade de locomoção.

A lei da acessibilidade (nº 10.098) assegura que locais públicos ou privados de uso comunitário devem atender às normas estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Um dos princípios é que haja caminho acessível entre os modos de transporte e em áreas essenciais das estações.

Dentre os equipamentos que garantem a circulação estão a escada rolante, rampas de acesso e esteiras, assim como elevadores, corrimãos e comunicação em braile, porém nada disso é encontrado na estação.

O desempregado Lúcio Fernando, é deficiente visual e apontou a carência de sinalização adequada em braile. “Quando tenho que usar o trem, preciso contar com a ajuda de outras pessoas, não tem nada em braile”, disse.

Quem embarca ou desembarca na estação, tem acesso às plataformas através de duas passarelas, que contam apenas com escadas para acesso às plataformas.

Transporte particular muitas vezes é a solução

Acessibilidade nos trens ainda não é realidade em Nilópolis
Estação conta apenas com escadas. Foto: Reprodução da Internet

Diante da falta de acessibilidade da estação de trem de Nilópolis, o uso do carro e do transporte por ônibus acaba sendo a única opção para quem tem mobilidade reduzida se locomover para fora do município.

É o caso da estudante Marian Bertiolo, que mora no Centro, trabalha em São Cristóvão e tem dificuldade de locomoção, devido à paralisia cerebral. “Já usei trem uma vez e não consegui fazer acesso à plataforma sozinha. Tive que ficar esperando um segurança vir e me ajudar”, disse.

Quando não há opção, a jovem usa o ônibus como meio de transporte, mas quando precisa fazer algum trajeto de trem, precisa de uma carona da mãe. “Para meu tipo de dificuldade, prefiro que tenha elevador ou uma rampa não muito íngreme”, avaliou.

O especialista em transportes, Creso de Franco Peixoto, avalia a utilização do veículo particular por falta de viabilidade do setor público como uma forma de tolher a liberdade do portador de deficiência. “Sob o ponto de vista do usuário, a não oferta de acessibilidade nos trens gera descontinuidade do transporte de forma plena. Pouco ajuda haver calçada e ônibus adaptados se o trem é necessário para chegar ao destino final”, analisou. Para Peixoto, além da obrigatoriedade legal, as mudanças devem garantir segurança ao usuário.

Quem insiste em utilizar o trem, precisa estar pronto para enfrentar os transtornos. O cadeirante Maurício de Souza, já atrasou compromissos e perdeu consulta médica por problemas de acessibilidade. “Toda vez que vou pegar o trem é um sofrimento, tenho que passar pelo constrangimento de pedir ajuda e ainda tem gente que não sabe ajudar”.

A Supervia informou que o processo de modernização das estações faz parte do acordo de melhorias firmado com o governo do estado, com obras que foram iniciadas em 2012 e seguirão “de acordo com as prioridades avaliadas pela concessionária”. Segundo a empresa, as intervenções vão padronizar as plataformas, que recebem 17 tipos de trens, com alturas e larguras diferentes.

Já a Agência Reguladora de Transportes do Estado do Rio (Agetransp) informou que o plano de investimentos do contrato de concessão é acompanhado por por uma comissão mista, formada pela agência, pela Secretaria estadual de Transportes e pela Central. Segundo a agência, é aberto um processo regulatório e a Supervia pode ser penalizada quando são identificadas falhas de forma sistemática, como escadas rolantes quebradas.

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