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Estudantes causam impacto com pichações em ônibus de Nilópolis

Estudantes causam impacto com pichações em ônibus de Nilópolis
Foto: Divulgação
São estudantes de escolas públicas municipais, estaduais e particulares, sem distinção de classe social, bairro ou linha de ônibus.

Mesmo com os investimentos na melhoria da frota, as empresas de ônibus que operam as linhas municipais de Nilópolis, ainda sofrem com o vandalismo praticado por alguns jovens que se acham no direito de deixar as suas marcas nos assentos dos veículos. “Não conseguimos imaginar qual o prazer que eles sentem ao praticarem esses atos de vandalismo”, comenta o comerciante José Santana, que diariamente usa os ônibus da linha 001 (Mirandela x Cabral), operada pela empresa Nilopolitana.

Todos os funcionários das empresas de ônibus de Nilópolis que foram consultados são unânimes na dedução de que são estudantes os autores das pichações. “Afirmo que 80% dos casos tem pelo menos um estudante em horário escolar envolvido com o problema. É triste dizer isso mas é a verdade”, confirmou um motorista que preferiu não se identificar.

Estudantes causam impacto com pichações em ônibus de Nilópolis
Foto: Divulgação

São estudantes de escolas públicas municipais, estaduais e particulares, sem distinção de classe social, bairro ou linha de ônibus. Crianças e adolescentes, garotos e garotas. Essa dedução é baseada em evidências, pois a maioria das mensagens são assinadas com nome e número da turma de escola. Além disso, o conteúdo é o mais adolescente possível (recadinhos de amor eterno, contatos de Whatsapp, xingamentos, desenhos obscenos, afirmações do gosto musical, entre outras “artes abstratas”).

Os alvos são os bancos do fundo dos ônibus. Estofados são rasgados com canivetes, o revestimento de plástico da parte de trás do banco vira tela de pintura para as pichações, é parcialmente derretido por fogo de isqueiros e há quem escreva nele o nome, raspando fissuras com estilete. “Eu mesmo já vi uma jovem, de uma escola particular, junto de seus colegas usando corretivo para escrever recadinhos. Não falei nada, pois não sabemos com quem lidamos e ando sempre de ônibus e esses jovens também, daí não podemos dar bobeira”, diz o também estudante Leandro, que condena a prática dos “colegas”.

Cobradores e motoristas são autoridades nos ônibus, mas eles não podem evitar o vandalismo. “A gente é orientado a chamar a atenção dos jovens, mas há muita hostilidade. Eles nos xingam e alguns deles tem contato com bandidos e dirijo sempre na mesma linha, não posso arriscar a minha vida”, explica outro motorista, que há nove anos atua na área.

Este mesmo motorista contou que, certa vez, quando trabalhava em uma outra empresa no município do Rio de Janeiro, precisou parar o ônibus perto de uma viatura policial para que os militares retirassem alguns estudantes vândalos. Entretanto, no dia seguinte, o mesmo ônibus foi alvo de apedrejamento. “Amassaram toda a lataria e vidros foram danificados por pedras e ainda me ameaçaram de morte, daí pedi demissão, pois estava com medo”, contou.

Além do material danificado ter que ser reposto, as empresas são obrigadas a gastar mais com mão-de-obra e produtos químicos para tentativa de limpeza das pichações.

A poluição visual também é outra consequência negativa para todos os passageiros. Quando o veículo está muito comprometido, precisa ser levado para manutenção, sendo necessário colocar um mais antigo no lugar como medida provisória. Além disso, enquanto não são reparados, os bancos vandalizados acabam, por vezes, se tornando inutilizáveis.

Para os passageiros, a solução estaria na adoção de medidas mais enérgicas, como a obrigatoriedade da prestação de serviços gratuitos a comunidade, no caso de flagrante. “As empresas deveriam fazer uma parceria com as escolas e a polícia e quem fosse pego deveria primeiro limpar aquilo que ele sujou e depois ajudar a conscientizar outros jovens a não cometer o mesmo erro. Os pais também deveriam ser avisados sobre o que os seus filhos andam fazendo nas ruas”, disse a auxiliar de enfermagem Sônia Prado.

A palavra vândalo tem origem histórica. Era o nome dado às tribos de bárbaros que saíram do norte da Europa e, no século V, invadiram e saquearam Roma. Inúmeras obras de arte se perderam. Segundo o sindicato que representa as empresas de ônibus do Rio de Janeiro, o prejuízo com o vandalismo representa um gasto anual de cerca de R$ 55 milhões.

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