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Abandono marca antiga estação ferroviária de Olinda

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Para os moradores mais antigos a lembrança de um tempo que não volta mais. Para os mais novos apenas mais uma passarela que sofre com a briga entre a SuperVia e o Governo do Estado. Esse é o retrato do que sobrou da antiga estação ferroviária do bairro de Olinda.

Da estação, inaugurada em 03 de outubro de 1935, só restaram as escadas e a ponte que liga as avenidas Roberto Silveira e Getúlio de Moura. As plataformas, bilheterias e todo o resto foram demolidas no final da década de 90 quando iniciou-se a construção da nova estação, distante alguns metros da antiga. Na época, o Governo do Estado chegou a anunciar que também iria demolir a passarela, mas diante do apelo de moradores a construção foi preservada, mas a manutenção nunca mais foi feita.

Problemas

Com problemas dignos da “idade” a construção preocupa os moradores do bairro. Em um vídeo feito por um deles é possível ver que há muito tempo não é feita manutenção. Enquanto falta iluminação e segurança, sobram rachaduras e pedaços de rebocos que despencam a todo momento sobre a malha ferroviária. Pintura então, faz muito tempo que a “velha senhora” não recebe. “Só de ver dá medo. Eu já não passo mais por ela, prefiro perder um pouco mais de tempo e ir pelo túnel do que me arriscar. Gostaria de ver ela restaurada, é um patrimônio histórico do bairro que está se perdendo”, disse o motorista Luis Correia, 67, que relembra com saudade dos tempos em que usava a estação para ir trabalhar todos os dias no Centro do Rio de Janeiro:

“Todos os dias eu saia de casa na Nilo Peçanha e vinha caminhando até aqui. Naquele tempo a gente tinha que se virar, não tinha vale transporta, então eu sempre ia e voltava do trabalho de trem. A estação de Olinda vivia cheia, assim como os trens, mas mesmo com as dificuldades da época, a gente relembra com saudade e muitas pessoas daquela época também passam por aqui e revivem aqueles momentos, mas não sei até quando né?”, questiona emocionado o Sr. Luis.

A pergunta do Sr. Luis também é a mesma de outros moradores. Os mais novos que sequer chegaram a usufruir da estação de antigamente desconhecem que não se trata de uma simples passarela. “Não sabia que isso ai tinha tanto tempo de construção. Meu avô chegou a falar que era uma estação desativada, mas não imaginava que tinha 84 anos. Ele falava emocionado e dizia que era um absurdo estar abandonado e eu falava que tinham que demolir, hoje me sinto super arrependido. Mas acho que vão esperar que a situação piore e coloquem abaixo. Meu avô morreu há cinco anos e falava o mesmo”, lembra o estudante João Francisco, 28.

Para José Silva, 68, o Governo do Estado poderia restaurar a passarela e reconstruir o acesso as plataformas, o que para ele, iria melhorar o acesso à estação:

“A estação que eles construíram além de ser longe do centro do bairro é cheia de rampas, perdemos muito tempo para chegar até as bilheterias. Seria bom que restaurassem a passarela e colocassem um acesso com bilheteria nela. O charme de antigamente não teríamos, mas pelo menos o patrimônio histórico seria preservado e os passageiros teriam mais uma opção”, diz.

ESTAÇÃO DE OLINDA
A antiga estação em foto de 2007. Foto: Reprodução da Internet

Jogo de empurra

Se por um lado a população cobra uma solução, do outro há um verdadeiro jogo de empurra entre a concessionária de trens urbanos Supervia e o Governo do Estado. A primeira alega que é apenas responsável pela operação do sistema e que as passarelas não são de sua responsabilidade, atribuindo a manutenção e a conservação às prefeituras. Já para as prefeituras a responsabilidade é do Estado, que por sua vez não responde.

Enquanto isso a “velha senhora” de 84 anos vai se desfazendo…

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