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Acidente no Gericinó chama a atenção para o respeito aos limites do Parque em Nilópolis

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O acidente que vitimou o jovem Nathan Leandro da Silva Lopes, 15, no final da tarde desta segunda-feira (23), chamou a atenção para a falta de respeito aos limites do Parque Municipal Natural do Gericinó. Apesar de ter sido cedido pelo Exército Brasileiro ao município de Nilópolis em 2009, o território do parque fica dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Gericinó-Mendanha, situado no Campo de Instrução de Gericinó (CIG). Ou seja, apesar de estar sob a administração municipal toda a área do parque é de propriedade da União, neste caso do Exército Brasileiro.

Como proprietário da área, o Exército Brasileiro delimitou o espaço cedido ao município para a implantação do parque e justamente esse limite que separa o lazer dos perigos que uma área militar oferece. Se de um lado há um belíssimo espaço de extensa área verde, onde você pode desfrutar de momentos de descanso, esporte e lazer, do outro são vistos militares fazendo treinamentos com todo tipo de armamento, isso inclui o uso de granadas como a que vitimou o jovem Nathan.

NATHAN
Nathan Leandro da Silva Lopes morreu após pegar granada em área militar. Foto: Reprodução da Internet.

 

Sem haver qualquer tipo de muro ou gradil, apenas a barragem do Gericinó, que hoje serve como pista de caminhadas, diga-se de passagem, irregular, segundo o Exército Brasileiro, é o limite físico entre o parque e a área militar de uso exclusivo dos militares. Ao todo o parque tem só 1km² e o que for além disso faz parte do CIG.

Pista não poderia estar sendo usada

De acordo com o Comando Militar do Leste, a pista sobre a barragem do Gericinó, que vai do rio Pavuna, no limite com o município do Rio de Janeiro e o rio Sarapuí, no limite com o município de Mesquita, já é considerada área militar e não deveria estar sendo usada pela população, porém, um acordo entre o município de Nilópolis e o Exército Brasileiro libera o uso, apenas entre os dois rios.

Oficialmente, o Parque Municipal Natural do Gericinó tem como limites as residências dos bairros Nossa Senhora de Fátima, Manoel Reis e Cabral, os rios Pavuna e Sarapuí e a pista sobre a barragem. De acordo com o Art. 302 do Código Penal Militar, a entrada em área militar por onde seja defeso ou não haja passagem regular, além de punição de detenção, de seis meses a dois anos, pode ser fatal, já que na maioria dos casos, principalmente nos campos de instrução, há artefatos espalhados e que podem estar ativos.

Falta informação

Apesar de ser de conhecimento da maioria dos moradores de Nilópolis, não são raras as vezes em que frequentadores do parque adentram na área militar e sequer são importunados por militares. Alguns justificam a entrada alegando desconhecimento dos limites do parque, como é o caso de Luis Francisco, 23, que apesar de ser morador de Nilópolis não sabe ao certo onde começa a área militar:

“Não tem nenhum muro, cerca ou grades para delimitar o parque da área militar. Eu mesmo já entrei na área proibida sem querer e só depois me avisaram que ali não podia entrar. Poderiam colocar mais placas ao longo de todo o parque e em alguns locais é necessário a colocação de obstáculos”, disse.

Já quem não mora em Nilópolis ou na região, depende de outros frequentadores para serem alertados sobre os perigos. Fernanda Farias é frequentadora do parque e diz já ter alertado muita gente sobre não entrar na área militar:

“Já avisei muita gente sobre não poder entrar na área militar, mas alguns sequer conhecem o parque, aqui tem gente de tudo que é lugar e muita gente quando chega pela primeira vez acha que toda a área é do parque. Quando dá a gente avisa, mas muitos entram de bicicleta e ai já não dá mais tempo”, diz a moradora do bairro Cabral.

Militares dizem haver sinalização

Em nota o Comando Militar do Leste disse que está apurando os fatos. “Por se tratar de área de acesso proibido, destinada à instrução militar, incluindo tiro com armamento pesado, granadas e explosivos, seu acesso possui sinalização de advertência, alertando para a proibição e o perigo da transposição. Durante o deslocamento pela área, os menores encontraram artefatos militares. Ao removerem indevidamente os artefatos do solo e efetuarem a sua manipulação, um deles veio a explodir. A onda explosiva feriu mortalmente um deles e infligiu ferimento de menor gravidade em outro. O terceiro menor nada sofreu. A Polícia do Exército foi acionada para conduzir a perícia no local. O menor ferido foi evacuado para o Hospital da Vila Militar, medicado e passa bem. O Comando Militar do Leste solidariza-se com as famílias dos menores e lamenta o trágico acidente”.

Jovem era querido

Nathan Leandro da Silva Lopes, de apenas 15 anos, tinha costume de andar de bicicleta pelo parque e segundo familiares e amigos, era costume reunir amigos para o passeio. Ontem e estava acompanhado de mais dois amigos. Nathan foi o único a pegar a granada. O artefato explodiu na hora e acabou matando-o e ferindo um amigo, que foi medicado e passa bem. O outro menor nada sofreu.

A tia do adolescente, Carla Lopes, disse que a família está arrasada com a tragédia. “Está sendo muito difícil. A gente sabe que nada vai trazer o meu sobrinho de volta. A dor que a gente está sentindo é muito grande, mas eles (Exercito) terão que dar uma resposta sobre esse acidente. Eram quatro meninos brincando, como foi apenas o meu sobrinho, poderia ter acontecido com os quatro garotos. Como que o Exército não vê isso? Como que os garotos conseguiram entrar ali?”, questiona.

O corpo de Nathan será enterrado às 15h30 desta terça-feira (24) no Cemitério Municipal, em Olinda.

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