Nova Cidade

Crueldade: Parque Sara Areal sofre com o abandono de animais

GATO ABANDONADO
Foto: Via Whatsapp
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A proliferação de animais domésticos abandonados pela população no Parque Municipal Sara Areal, no bairro Nova Cidade, está gerando um grande problema na unidade de conservação. Além da tradicional “rivalidade”, cães e gatos praticamente duelam pela sobrevivência e acabam gerando cenas de grande crueldade.

“Estão abandonando cães e gatos aqui e as brigas entre eles estão cada vez mais frequentes, dá muita tristeza ver os bichinhos se matando. Outro dia ainda consegui evitar que um filhotinho de gato fosse morto por um cachorro, mas nem sempre há essa sorte”, disse uma moradora.

Para o biólogo, Paulo Ivo, o ato de abandonar um animal doméstico é condená-lo à morte:

“Esses animais são adaptados a nossos hábitos, e se os soltamos, eles ficam sujeitos a transmissões de doenças entre eles e entre outras espécies. Além disso, eles ficam sujeitos às diversas condições ambientais do local e ao atropelamento, por exemplo, por estarem em área urbana. O abandono de um animal doméstico é um ato cruel ao animal, à saúde ambiental e humana”, destaca ele.

A bióloga, Elisa Farinha, explica ainda que a presença de animais domésticos é prejudicial tanto para eles que precisam de cuidados e carinho, como pode ocasionar um desequilíbrio ecológico na fauna local, pois podem caçar os animais silvestres ou competir com eles por espaço e alimento.

“Os animais abandonados têm dificuldade de encontrar alimento, água limpa e abrigo, estão vulneráveis a atos de crueldade e ficam expostos a doenças de áreas florestais transmitidas por animais silvestres ou pelo ambiente. Além disso, podem se tornar agressivos por estarem com medo, acuados, feridos ou doentes”, destacou ela.

Segundo Elisa, a situação mais delicada é a dos gatos, cuja população que vem crescendo. Conforme o tempo de isolamento, eles passam ter um comportamento arisco e menos adaptável ao ambiente doméstico.

Ajuda

Mesmo frequente, a boa vontade que motiva o trabalho de cuidadores autônomos não é suficiente para atender à demanda dos pets que uma vez tiveram espaço dentro de lares. “Muitas pessoas têm a ilusão de que deixando animais aqui, eles ficarão bem, já que sempre há quem se compadeça e por isso coloque comida e água. Sendo que, infelizmente, não é só de fome e sede que esses animais sofrem nesses locais”, explica Gisele Oliveira, que mora próximo ao parque.

Para a ambientalista e protetora de animais, Beatriz Lopes, que todas as semanas costuma “visitar” os animais abandonados se emociona ao falar do caso:

“É crime e uma crueldade. Assim como você não abandonaria o seu filho porque você tá mudando de casa ou tá entrando de férias, você também não deveria abandonar um animal porque ele também é um integrante da família. O meu sonho é que os animais tanto daqui quanto das outras instituições, eles ganhem um lar responsável e amoroso, onde eles tenham uma vida que é o que a gente quer para todos eles, que é uma vida com amor, com cuidados e que a gente não tenha mais abandono nas ruas”, apela Beatriz.

PARQUE SARA AREAL
Parque Sara Areal. Foto: Divulgação

Crime

Juridicamente, o abandono em si configura crime, de acordo com Lucíola Cabral, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais (CDDA) da OAB. “O que existe é a Lei de Crimes Ambientais, que trata da questão dos animais no artigo 32. O problema é que nós temos um problema mais sério, que é a falta de fiscalização e de consciência das pessoas em relação ao abandono de animais”, explica.

Segundo ela, a dificuldade em flagrar os atos de abandono representa um obstáculo para a punição dos ofensores. “Infelizmente, apesar de termos a Lei, ainda são raros os casos em que os agressores são devidamente punidos. A grande dificuldade é provar a maldade, para isso seria necessário investir em câmeras de monitoramento e na presença de guardas”, completou.

Faltam políticas públicas

No que diz respeito ao atendimento de cães e gatos abandonados, seria necessário um centro de atendimento, já que o resgate feito por protetores independentes implica um alto custo para tratar e manter os animais. “O abandono é um problema que gera outros problemas. Além do risco de saúde pública, o animal pode estar contaminado com raiva, podendo infectar outros animais e até pessoas”, disse a veterinária Andreza Silva.

Para a auxiliar de enfermagem Isabel Firmino, a falta de diálogo com a Prefeitura para esta questão colabora para que o problema cresça. “Acredito que a Prefeitura poderia dar uma atenção para este parque e servir como um bom exemplo para o enfrentamento deste problema que é muito comum em outras áreas do município”, comentou ela, que passa todos os dias em frente ao parque e lamenta que o poder público não tome atitudes:

“Os bichos são deixados para morrer. É triste demais ver. Se há pessoas ruins de um lado, do outro temos voluntários que fazem o que podem para ajudar. No meio está o poder público que só assiste e não toma providências para resolver o impasse”, completou.

Solução

Protetores de animais e veterinários são unanimes em afirmar que a solução para o problema está na castração dos animais abandonados. “Infelizmente a dificuldade para se achar um novo lar para eles é grande, mas se todos eles forem castrados teremos uma diminuição na população. Somando-se à punição para aqueles que abandonarem os animais, poderemos diminuir o problema”, finalizou a veterinária Andreza Silva.