Transportes

Desrespeito no trânsito impera nas ruas de Nilópolis

ESTACIONADO NA GARAGEM
Motorista deixa o veículo parado na frente de uma garagem. Foto: Via Whatsapp
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O sinal de pedestres ainda está vermelho quando um mar de gente atravessa de forma sincronizada a avenida sobre uma faixa que mal dá pra se ver onde é seu início. O motorista do Uno passa logo depois, sem cinto de segurança, e, mais à frente, ainda se depara com vários ônibus parados, alguns em fila dupla. Do outro lado, o mototáxi que furou o semáforo querendo economizar tempo estaciona na beirada da pista e se transforma em barreira extra para o trânsito.

AGENTE DE TRÂNSITO
Agente multa veículo por estacionamento irregular. Foto: Divulgação

 

Pouco depois, o ciclista, apesar de ser obrigado a seguir a mesma sinalização dos carros, aproveita um momento súbito de tranquilidade no tráfego e, na contramão, segue tranquilamente o seu destino. O mais impressionante de tudo isso é que as cenas acima não ocorreram em algum pouco fiscalizado bairro de Nilópolis, mas em plena Avenida Getúlio de Moura, que corta o município de um ponto ao outro. Pior: nenhum desses infratores foi multado.

Todos errados

Bastam cinco minutos em qualquer via de Nilópolis para suspeitar que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que em 2019 completa 22 anos, tem pouca validade na menor cidade da Baixada Fluminense. Difícil encontrar inocentes no trânsito nilopolitano. A pé ou motorizados, os infratores sempre encontram álibis ao serem pilhados em alguma das infrações definidas pelos 341 artigos do código. E a maioria de fato se safa das punições.

Com a sensação de impunidade, quem não é alcançado pela fiscalização se sente à vontade para justificar o desrespeito jogando a culpa, principalmente, sobre uma dupla que não pode se defender: a pressa e o próprio trânsito. Mas há quem nem se preocupe com justificativas, caso do motorista que conversa tranquilamente ao celular em plena Avenida Mirandela, no Centro. Tamanho o envolvimento com a conversa, ele sequer repara no semáforo e por pouco não atropela um ciclista. Se não fosse o palavrão impublicável gritado a plenos pulmões pelo ciclista, o motorista continuaria desatento.

E para alguns motoristas os portões de garagem são apenas de enfeite. Na pressa por querer estacionar, qualquer espaço livre vira uma vaga, mesmo que para isso os moradores sejam prejudicados. Na Rua Alberto Teixeira da Cunha, a diversão de uma parcela da população é sinônimo de tormento para quem mora no trecho onde funciona o Polo Gastronômico. Como nenhum restaurante ou bar possui estacionamento próprio, resta aos frequentadores “largarem” os seus veículos em qualquer lugar. E é qualquer lugar mesmo. Vale subir com os carros nas calçadas, impedir as garagens e até mesmo estacionar junto aos portões das casas.

CARRO NA CALÇADA
Os veículos estacionados irregularmente obrigam os pedestres a caminharem pela pista. Foto: Divulgação

Falta de investimento

E essa bagunça generalizada tem uma razão: falta de investimento no órgão fiscalizador. Quem trafega por Nilópolis já notou que o número de agentes de trânsito é cada vez menor nas ruas e os poucos que restam, ficam submissos a uma cruel realidade. As agressões e xingamentos se tornaram cada vez mais constantes, fazendo com que muitos servidores desistam da profissão.

Apesar das dificuldades, os agentes do Grupamento Especializado em Trânsito fazem operações e se tornam grandes heróis no meio de tanta coisa errada. Sempre que acionados eles buscam ajudar a população, mas só lhes resta a caneta. Sem reboques, o máximo que podem fazer é multar, restando às vítimas das irregularidades aguardar a solução e a boa vontade dos ignorantes retirarem os veículos das portas de garagens, dos pontos de ônibus, das calçadas e onde bem entendem eles.

 

PONTO DE ÔNIBUS
Motorista de ônibus para longe do ponto. Foto: Divulgação

 

Muito mais do que culpar o poder público, é necessário entender que a segurança no trânsito depende apenas dos seus usuários, sejam eles condutores ou pedestres.  Enquanto essa consciência não existir, as brigas ocasionadas por desavenças no trânsito irão continuar. Mas não há como eximir o poder público de sua culpa. É necessário que se invista na valorização dos agentes de trânsito e que sejam dadas condições para o trabalho desses profissionais.

1 Comentário

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  • Tem um flanelinha em frente ao posto do INSS parece ser dono da rua. Esse cara anda com a camisa da super via.Abusado e mal educado.Cade a fiscalização?Fato Nilópolis abandonado.

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