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Municípios vizinhos sobrecarregam UPA de Nilópolis

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O auxiliar de pedreiro Cláudio Aguiar, de 27 anos, se feriu ao manusear uma ferramenta elétrica. Apesar de trabalhar trabalhar no bairro de Santa Terezinha, em Mesquita, um amigo o socorreu e levou direto para a UPA JK em Nilópolis. Da mesma forma acontece com 60% das pessoas que buscam atendimento na unidade.

Cláudio é resultado de um efeito que vem provocando uma sobrecarga na unidade nilopolitana. A ausência de hospitais ou unidades de emergência nos municípios vizinhos. Além de Mesquita, a UPA JK também recebe pacientes de Belford Roxo, São João de Meriti e dos bairros de Anchieta e Mariópolis, no Rio.

Recursos insuficientes

Apesar de ser uma unidade compartilhada, ou seja, os custos para manter a unidade em funcionamento são divididos entre a Prefeitura de Nilópolis e os governos do Estado e Federal, os recursos destinados à operação são medidos de acordo com a população nilopolitana, ou seja, mesmo atendendo moradores de outros municípios o valor dos repasses não muda.

Não existem dados estatísticos, mas médicos e enfermeiros da unidade apontam que a maioria do atendimento não diz respeito a casos emergenciais. Portanto, poderiam ter sido resolvidos ou prevenidos nas unidades básicas de saúde. Na classificação de risco [dos atendidos pelas UPAs], a grande maioria dos pacientes apresenta situações simples, como resfriados, febres, além de situações crônicas, como hipertensão e diabetes, que deveriam ser resolvidos pela atenção básica.

HOSPITAL SÃO JOSÉ
Hospital São José, em Mesquita foi desativado. Foto: Reprodução da Internet.

 

Esta migração contínua provoca um fluxo não programado às unidades, concebidas para receber casos de urgência e emergência da população do próprio município, e acaba sobrecarregando o sistema de saúde pública. Com isso, o que se vê tem hoje é um atendimento mais demorado do que deveria ser.

Hospital de fachada

Entre as hipóteses apontadas para explicar porque tantos moradores de outras cidades procuram cuidados médicos de emergência em Nilópolis, destacam-se dois pontos: a proximidade de alguns municípios em relação à UPA e a percepção de que os serviços prestados na unidade nilopolitana é de melhor qualidade.

Outra hipótese está na fachada do imóvel: letreiros de tamanhos generosos apontam que ali funciona um hospital. O equívoco atrai pessoas que não conhecem a realidade do município. O Hospital Municipal Juscelino Kubitschek foi demolido em 2013 e o que se tem ali na verdade é uma obra incompleta e que só teve o primeiro pavimento inaugurado. Ainda não há sequer a previsão de quando realmente o hospital será entregue à população.

A propósito lembra do auxiliar de pedreiro Cláudio Aguiar, cujo caso abrimos esta matéria? Ele foi atendido após 20 minutos de espera. Ele teve um corte profundo em uma das mãos e precisou sofrer uma sutura. Seu caso podia ter sido resolvido em seu próprio município, se Mesquita não tivesse encerrado as atividades do Hospital São José.

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