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Número de animais abandonados aumenta por falta de centros de castração em Nilópolis

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O número de animais abandonados em Nilópolis aumentou recentemente e ONGs que defendem os direitos dos animais apontam a falta de um centro de castração como o motivo. A luta contra a crueldade animal depende apenas de moradores que dedicam seu tempo e dinheiro para a causa.

A saída, ou pelo menos a redução do problema, passa pela criação de políticas públicas em defesa dos animais. Na gestão anterior, o ex-prefeito, Alessandro Calazans, chegou a anunciar a criação de uma lei em que animais abandonados nas ruas e recolhidos por protetores teriam direito a castrar os animais em clínicas particulares e o valor da operação seria pago através de descontos nos impostos, porém houve a troca de prefeito e até hoje não se falou mais na tal lei.

Voluntários fazem o que podem

Enquanto isso o serviço de castração na cidade é realizado apenas em clínicas particulares e por voluntários, que não conseguem dar conta da demanda e nem tem condições financeiras para tal, já que o preço da castração pode variar de R$ 100 a até mais de R$ 500, dependendo do tamanho e do tipo de animal.

A criação de um centro público de castração ajudaria principalmente no controle populacional de cães e gatos e no combate à doenças como calazar, já que o número de casos está relacionado com a quantidade de animais nas ruas.

A zootecnista, Roberta Cunha, acredita que os problemas estão ligados à falta de comprometimento das autoridades. “A gente vê as ruas cheias de animais e eles são advindos de algum lar. Foram colocados para fora. Enquanto não houver o comprometimento dos nossos governantes, a situação só vai piorar”, disse.

E para piorar a situação, na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, teoricamente responsável pelo assunto, não há sequer pessoal habilitado e nem equipamentos para ajudar a recolher e tratar estes animais. Diariamente podem ser vistos gatos, cachorros e cavalos vagando pelas ruas. Além de ser uma grande maldade com os bichos é um caso de saúde pública, pois muitos deles estão doentes.

Uber para levar cachorro atropelado

“Infelizmente a Prefeitura não trata a causa animal com o devido respeito. Nem mesmo há uma viatura para que os guardas ambientais possam prestar auxílio. Vi um cachorro atropelado agonizar no meio da rua e liguei para a Secretaria de Meio Ambiente e disseram para eu tentar levar o cãozinho de Uber para uma clínica, já que eles não tem nem carro para que os guardas possam ajudar. Eles até tem boa vontade, conheço protetores que já receberam ajuda deles, mas as condições deles são tão ruins ou até piores que as dos voluntários”, disse uma protetora que não quis se identificar.

O testemunho da protetora é confirmado por funcionários da Secretaria de Meio Ambiente. “Só temos dois carros aqui e eles são compartilhados com o pessoal da fiscalização, com o serviço burocrático e com o patrulhamento do parque, mesmo assim nenhum deles é próprio para o uso da Guarda Ambiental. Precisamos de uma pick-up com tração nas quatro rodas e equipamentos para que possamos ajudar nos resgates. Enquanto isso a gente faz o que pode”, lamenta um funcionário.

Um outro problema é a ausência de um abrigo no município. Até há um mantido pela Prefeitura, mas fica localizado em Cabuçu, no município de Nova Iguaçu. Ele foi criado em meados de 2013 por determinação do Ministério Público após uma polêmica envolvendo a Prefeitura e um grupo de voluntários que mantinha um abrigo em terreno que seria do Município. Na época a retomada do terreno foi impedida pelo MP, que determinou ainda que o abrigo não fosse despejado e que o Município mantivesse um abrigo para acolher os animais que já haviam sido retirados do terreno.

A solução encontrada pela Prefeitura na época foi a locação de um terreno às margens da antiga estrada Rio-São Paulo. Até hoje há animais daquela época que são alimentados e cuidados. Porém, não se sabe quantos estão no local.

Saúde pública em risco

O médico veterinário, Luciano Vaz, explica que o caso deve ser tratado também como saúde pública, já que muitos desses animais, por estarem nas ruas, sequer são vacinados e ao conviver com lixo e outros animais, como ratos, por exemplo, acabam contraindo doenças que podem ser passadas aos humanos:

“Infelizmente o poder público não enxerga a gravidade do problema. Temos a questão do bem estar animal, mas  também tem a questão de inúmeras doenças que eles podem transmitir, já que não são incluídos nas campanhas de vacinação, acabam sendo um risco”, explicou.

Apesar de ser comum, o abandono de animais é considerado crime. A pena pode chegar a três meses de prisão, além de multa, o que raramente acontece, já que é difícil comprovar o abandono.

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