Transportes

Ligação Nilópolis x Barra volta a sofrer com problemas

NILOPOLITANA
Foto: Reprodução da Internet
Receba as matérias da sua cidade em primeira mão no seu smartphone ou tablet. WhatsApp CLIQUE AQUI ou pelo Telegram CLIQUE AQUI

Até 2009, quem quisesse sair de Nilópolis rumo à região da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, para trabalhar ou se divertir, precisava pegar mais de uma condução. Com a inauguração, em 4 de fevereiro daquele ano, da linha 420T (Nilópolis x Barra da Tijuca), a situação parecia ter mudado e os moradores do município passavam a contar com uma ligação direta.

Passados onze anos da viagem inaugural, onde os passageiros foram os então vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão e o deputado estadual Alessandro Calazans, a situação de quem depende da linha está bem longe daquele dia.

CRUZEIRO DO SUL
Ônibus novos na inauguração da linha. Foto: Reprodução da Internet

 

A primeira empresa a operar a linha foi a extinta Cruzeiro do Sul, que na época, pagou ao Estado a quantia de R$ 1,7 milhão e estreou ônibus zero quilômetros, comprados exclusivamente para a operação da linha. Anos depois a operação era motivo de reclamações pelos inúmeros problemas que aconteciam durante as viagens.

Declínio

Os ônibus, em sua maioria, ainda eram aqueles que inauguraram a linha e já sofriam com a idade. Não eram raras as vezes em que as viagens acabavam interrompidas por problemas mecânicos e até mesmo incêndios. Só no período entre 2012 e 2013, três veículos haviam pegado fogo, sem feridos, felizmente. E quando a viagem seguia normalmente, os passageiros reclamavam de problemas nos aparelhos de ar condicionados.

Com a quantidade de reclamações aumentando a cada dia, o Departamento de Transportes Rodoviários (DETRO), órgão fiscalizador das linhas intermunicipais, foi obrigado a aumentar a fiscalização sobre a operação da Cruzeiro do Sul. As multas aplicadas contra a viação eram constantes e em março de 2017 o órgão determinou cassou a licença de operação da empresa. Como justificativa o órgão alegou descumprimento das cláusulas contratuais. No dia 04 de abril daquele mesmo ano, a Nilopolitana passava a ser a operadora da linha.

Mas a Cruzeiro do Sul, em uma tentativa de se manter na linha, entrou na Justiça e conseguiu uma liminar autorizando o seu retorno. A batalha judicial durou até agosto, quando a liminar foi cassada e desde então a Nilopolitana é a empresa responsável pela linha 420T (Nilópolis x Barra da Tijuca).

Horários irregulares

Apesar de não sofrerem mais com problemas mecânicos, um outro problema voltou a incomodar os passageiros. A falta de regularidade nos horários dos ônibus. De acordo com os usuários, no ano passado a situação começou a ficar mais intensa:

“A empresa não é ruim, os ônibus são bons, funcionam bem e nunca tive problemas com enguiços, mas a regularidade nos horários vem deixando a desejar. Já fiquei quase 50 minutos na Rodoviária de Nilópolis esperando o ônibus sair. Apesar de estar na baia o motorista foi obrigado a esperar a ordem do fiscal para iniciar a viagem”, disse o auxiliar de enfermagem, Rodrigo Sant’anna.

E isso tem se tornado cada vez mais frequente, é o que reforça a assistente administrativa, Luciana Nunes:

“Todo dia os ônibus estão atrasados ou sempre o fiscal muda o horário de saída. Para quem tem hora certa para chegar no trabalho é muito ruim”, reclama ela.

Graça Gama é outra usuária da linha e disse que agora o intervalo entre os ônibus é de 50 minutos:

“Chegava na Rodoviária de Nilópolis para pegar o 420T em direção ao Fundão e tinha um ônibus que saía às 6:30 e como não vi o ônibus na plataforma, perguntei à fiscal da Nilopolitana e ela me disse que o anterior tinha saída pra 6:10 e o seguinte só sairia às 7h”, ou seja quase 1 hora de intervalo”, disse.

De acordo com um funcionário da empresa Nilopolitana, a linha vem perdendo passageiros todos os meses e com essa baixa demanda, houve redução no número de ônibus. Para o especialista em transportes públicos, a linha 420T foi concebida de forma errada, o que prejudica o empresário e também os passageiros:

“É um itinerário longo (são quase 3 horas de viagem) e isso vem fazendo com que o número de passageiros diminua a cada dia. Quando a linha foi inaugurada não havia o BRT. Hoje o passageiro que sai de Nilópolis rumo à Barra, tem como opção usar o trem até Madureira e lá embarcar em um BRT para a Barra, levando em média a metade do tempo que se fosse usando a linha 420T. Com a diminuição no número de passageiros, a operação da linha está ficando deficitária. O que o o governo fez em 2017 foi a medida mais fácil, ou seja, tira uma empresa e coloca outra, mas não procurou sanar o problema de verdade, que é remodelar o itinerário, tornando a linha mais rápida para o usuário”, disse Luiz Moreira.

BRT
Inauguração do sistema BRT fez reduzir ainda mais o número de passageiros. Foto: Reprodução da Internet

 

Luiz acrescenta ainda ainda sobre um outro fator. A inauguração da Transolimpica, via expressa que liga Deodoro ao Recreio dos Bandeirantes e que também recebeu um corredor do sistema BRT. “O passageiro ainda tem essa opção que acaba, dependendo para onde ele queira ir, sendo mais rápida que a linha 120T”, explicou.

Outro especialista no assunto, concorda que o itinerário longo prejudica o sucesso da linha e diz que o futuro da linha depende da mudança no percurso. “Não dá para entender como essa linha que sai de Nilópolis vá em sentido contrário ao seu destino. O certo seria o itinerário seguir rumo à Avenida Brasil e lá pegar a Linha Amarela ou até mesmo a Transolimpica rumo à Barra. Passar por Mesquita e pela Rodovia Presidente Dutra só atrapalha e com certeza ninguém que queira ir à Barra irá perder 3h dentro de um ônibus, quando se pode gastar apenas pouco mais que 1h”, disse João Júnior, engenheiro de transportes.

Ainda de acordo com o engenheiro, não adianta trocar apenas a empresa. “Essa linha hoje serve apenas para quem precisa se deslocar para locais no meio do caminho. Creio que a empresa ainda não tenha desistido da linha por causa da demanda que ainda existe para quem vai para o Fundão ou quem mora ao longo do percurso e por isso garanto, não adianta só trocar de empresa, tem que mudar o itinerário, pois do Fundão até a Barra, a empresa sofre prejuízo”, explicou Júnior.

Ainda não há nenhum sinal de mudança, seja de empresa ou de itinerário e segundo o DETRO, as reclamações recebidas pelo órgão são transformadas em operações diárias, onde os ônibus flagrados em situação irregular são retirados de circulação e a empresa punida com multas.