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Advogado nilopolitano atua em caso de grande repercussão internacional

Cada vez Nilópolis exporta profissionais para o Mundo. Olímpio da Silva Soares é mais um exemplo disso. Advogado há cinco anos, ele atua na defesa do motorista Robson do Nascimento Oliveira, de 47 anos, que está preso na Rússia.

Mas antes vamos entender o caso

Robson recebeu uma proposta para trabalhar em Moscou a serviço do jogador Fernando – volante revelado pelo Grêmio, estava no Spartak Moscou até julho de 2019, quando se transferiu para o Beijing Guoan. O sonho de mudar de vida desmoronou. Hoje, o homem que saiu de Nova Iguaçu está preso na gelada cidade de Kashira, a 110 quilômetros de Moscou.

ROBSON
Robson está preso na Rússia. Foto: Divulgação

 

Ex-fuzileiro naval, desempregado, vivia em Nova Iguaçu ao lado da mulher a quem se uniu cinco anos atrás. Cozinheira de mão cheia, Simone Damazio de Barros foi quem abriu a janela de um futuro melhor para o casal, no fim do ano passado. Indicada por uma amiga, ela recebeu uma mensagem em seu WhatsApp no dia 29 de novembro de 2018.

A proposta de largar tudo no Brasil e seguir para a Rússia era assustadora – cultura e hábitos totalmente diferentes, distância, língua estranha e um país de inverno rigoroso -, mas ao mesmo tempo tentadora, em razão da proposta salarial de R$ 8 mil – praticamente sem gastos, já que teria teto e comida em Moscou.

Mala entregue por motorista do jogador

No dia 9 de fevereiro de 2019, minutos antes do embarque, o motorista da família de Fernando, identificado como Leandro, chegou ao aeroporto Tom Jobim com três malas. Dentro delas havia encomendas da família do jogador. Em meio às encomendas, havia remédios tarja preta que, no Brasil, só podem ser adquiridos com receita médica. E eles atravessaram o portão de embarque no Rio de Janeiro sem as receitas prescritas na bolsa.

Dezoito horas mais tarde, o voo da Lufthansa de número LH-1446 pousou no Aeroporto Internacional de Domodedovo, conhecido como o mais rigoroso de Moscou. Eram 17h46 do dia 10 de fevereiro quando o casal pegou as malas na esteira. Ansiosos, estavam tomados pelo frio na barriga para encontrar o “funcionário” de Fernando que iria buscá-los: William Rodela. Não deu tempo.

JOGADOR FERNANDO
O jogador Fernando é o pivô do problema. Foto: Divulgação

Nove minutos depois, no hall de saída para o saguão do aeroporto, Robson e Simone escolheram o corredor verde, quando não se tem nada a declarar. Foram parados por funcionários do Setor de Controle de Circulação de Drogas da Diretoria Linear do Ministério do Interior no aeroporto de Demodedovo. Ao revistarem as bagagens de mão, misturadas em meio a comidas e roupas de criança, havia duas caixas do remédio Mytedom – cloridrato de metadona – 10mg, um potente comprimido para quem convive com dores, principalmente, mas também bastante utilizado no tratamento de recuperação de viciados em ópio e heroína. Daí o problema principal. Na Rússia, a substância é considerada entorpecente. E a quantidade, 40 comprimidos, com a massa de 5,60g de opioide, encaixava-se na nomenclatura da lei que prevê um “volume grande” da droga, infringindo o artigo 229.1, parte 3, do Código Penal da Federação da Rússia.

A defesa

Dali em diante a vida do advogado nilopolitano, Olímpio da Silva Soares, começa a fazer parte deste caso de grande repercussão internacional. No dia 18 de março de 2019 Robson é preso. Naquele mesmo dia, ele seguiu, algemado, para a Unidade Penal de Kashira, cidade a uma hora e meia da capital.

Dr. Olímpio explica que a situação do Robson é bem complexa, tendo em vista que nenhum dos integrantes da família do Fernando se dispôs a ir até Moscou para depor a favor dele, contando a verdade e como ele foi parar naquela situação para a juíza do caso. Vale ressaltar que foi pedido ao juízo que eles se manifestassem através de videoconferência, a juíza negou mas aceitou ouvi-los em sede do tribunal. Logicamente eles não iriam, tendo receio pela liberdade deles.

“Para ele ser libertado, é necessário que o verdadeiro dono dos remédios se apresente e assuma a medicação, mas não fariam isso porque nesse caso o sogro do jogador poderia ficar no lugar do Robson. Infelizmente não tenho contato com familiares do jogador, falo somente com o advogado deles aqui no Brasil. Eles estão custeando minhas viagens para Moscou para que eu possa acompanhar in loco o processo e passar para a família”, diz o advogado nilopolitano.

Situação difícil

Apesar da atuação firme do advogado, Olímpio não esconde que Robson tem grandes chances de ser condenado por dois crimes, contrabando de substância estupefaciente e tentativa de tráfico de substância estupefaciente:

“Ele pode pegar 20 anos de prisão. Para ajudá-lo, seria necessário uma declaração no processo de todos da família e principalmente do Fernando, que é a figura pública e tem bastante influência em Moscou, tendo em vista que jogou por três anos no clube do governo, o Spartak Moscou”, explica

Até para políticos o advogado está apelando:

“Vinha mantendo contato com o deputado Marcelo Freixo, se mostrou muito empenhado, mas disse que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não tinha enviado um documento formal à embaixada Russa. Cobrei o Freixo esses dias, e ele ficou de me retornar, mas até agora nada”, lamenta.

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