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Pai de Santo é impedido de registrar boletim de ocorrência na Delegacia de Nilópolis

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Em uma matéria do Jornal O Dia, publicada no último dia 14 de janeiro, o pai de santo Marcus Vinício Valente de Oliveira, 32 anos, afirma não ter conseguido registrar um boletim de ocorrência na 57ª DP (Nilópolis). Segundo o mesmo, ele foi impedido de registrar uma denúncia por intolerância religiosa.

A vítima resolveu ir a delegacia para denunciar uma loja de roupas que, segundo ele, estaria tocando músicas contra religiões de matrizes africanas. Ao chegar na delegacia, o pai de santo foi comunicar a denúncia mas foi impedido por um inspetor que estava no local. De acordo com Marcus Vinício, o inspetor disse ‘‘Já que meu Jesus Cristo pode ser chamado de gay, ninguém vai mais registrar casos como esse’. O agente se referiu ao especial de Natal do Porta dos Fundos, que trouxe como tema uma representação de Jesus Cristo no qual o retratava como homossexual, antes de se tornar o pregador das palavras de Deus.

Em relato ao Jornal O Dia, ele contou que se sentiu abandonado pelo poder público, justamente no momento em ele buscou auxílio. “Um atendimento deplorável, eu achei que ele poderia me dar voz de prisão, só estávamos eu e ele na delegacia. Ele abriu os braços, dizendo que ele era evangélico”, conta.

Depois do caso, o pai de santo recebeu atendimento de uma equipe da Superintendência de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa do Estado do Rio de Janeiro. Em conversa, a vítima cita que o inspetor ainda afirmou que teria vontade de jogar uma bomba na produtora responsável pelo especial de Natal. Por fim, Marcus Vinício conseguiu registrar o boletim de ocorrência na Delegacia Especializada em Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI), no Centro do Rio.

Procurada, a Polícia Civil informou que o delegado da 57ª DP (Nilópolis) se dispôs a atender a vítima novamente e que a conduta do agente que o recebeu seria apurada. Segundo o Ministério Público, nenhum policial pode se negar a registrar uma ocorrência e a vítima pode formalizar uma denúncia contra o agente junto à entidade.

Ataque à produtora Porta dos Fundos

No dia 24 de dezembro, dois coquetéis molotov foram arremessados na porta da produtora do Porta dos Fundos como forma de ataque ao especial de Natal, exibido pela Netflix. A polêmica entorno da obra foi motivada por fiéis que se sentiram ofendidos com a retratação de Jesus Cristo como um homem gay.

Um dos suspeitos de participar do ataque, Eduardo Falzi, foi identificado pela Polícia Civil, com base nos vídeos das câmeras de segurança. Ele era filiado ao Partido Social Liberal (PSL) e foi expulso após ser ter o nome citado na investigação.

Segundo as apurações, cinco pessoas participaram do crime. Eduardo embarcou para Moscou, na Rússia, no dia 2 de janeiro, onde continua. A Justiça brasileira tem um acordo com o país de extradição de criminosos, no entanto, ainda não há um pedido formal para trazer Eduardo de volta ao Brasil.

*Com informações do Jornal O Dia
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