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Operação revela que lojas em Nilópolis estão atuando na receptação de produtos roubados

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A Operação Espoliador 2, deflagrada na última quinta-feira (5) em 13 cidades da Baixada Fluminense revelou um dado alarmante: muitas lojas no município de Nilópolis estão atuando na receptação e venda de produtos roubados.

Os alvos da operação da Secretaria de Estado de Polícia Civil atuavam junto a integrantes de facções ligadas ao tráfico de drogas no estado. A informação é do diretor do Departamento Geral de Polícia da Baixada (DGPE), delegado Felipe Curi, que identificou a atuação dos criminosos como mais uma forma de auferir lucros nas suas atividades ilícitas. Essa, para ele, foi a principal questão que ficou evidenciada nas investigações.

“Eles entram nos centros de distribuição e acabam roubando um carregamento de celular, depois redistribuem isso nas lojas. A gente começou a fazer o mapeamento de tudo isso e esses marginais atuam com o tráfico. As armas que eles utilizam, muitas vezes fuzis, pistolas importadas com kit rajada, eles usam isso para as práticas criminosas, mas tudo com anuência do tráfico e justamente porque o tráfico acaba recebendo parte do lucro desse produto do roubo”, revelou em entrevista à imprensa.

Mandados

Os mandados de prisão foram expedidos pela Justiça após a conclusão de inquéritos das delegacias da Baixada Fluminense e de um levantamento da Polinter. Conforme as investigações, grande parte dos roubos ocorridos na região é incentivada por traficantes que exploram a venda de drogas em comunidades da Baixada.

O diretor da Polinter, Adriano França, destacou que as prisões ocorreram após uma análise dos mandados feitos de forma conjunta, que mostram a profundidade das investigações.

Presos

De acordo com o delegado, a maioria dos presos é de ladrão especializado neste tipo de crime. “Esses ladrões são profissionais no que fazem, a profissão deles é roubar. Tem ladrão que está sendo preso, que são roubadores contumazes, que acabam praticando, três, quatro, cinco roubos por dia ou até mais, então, cada roubador desse, em média, são, pelo menos, dez roubos por semana, que estão deixando de acontecer”, apontou.

O delegado informou ainda que é uma facção criminosa, como várias que atuam no tráfico de drogas. Embora tenham origem em determinada área do Rio, praticam os crimes em outros locais. “Isso é uma coisa comum nas facções que pegam armas e determinados integrantes se especializam em roubos. Temos inúmeras quadrilhas, por exemplo, uma do Complexo da Maré, que pratica vários roubos na Baixada Fluminense, roubos a grandes centros de distribuições de grande lojas”, disse.

O delegado destacou que todo ladrão preso hoje é um latrocida em potencial. Curi acrescentou que o latrocínio é o roubo que acaba culminando com a morte da vítima. Isso, na visão dele, aumenta a importância da operação realizada nesta quinta-feira. “O roubo, em sua grande maioria, é praticado com violência ou grave ameaça provocada por arma de fogo ou por uma faca. Muitas das vezes acaba ferindo as vítimas na hora da abordagem, então, todos esses ladrões, roubadores, que estão sendo presos são latrocidas em potencial e estão sendo retirados de circulação”, observou.

Locais de venda

Durante as investigações os agentes conseguiram fazer um monitoramento por meio dos IMEI, tipo de identidade dos celulares, e chegar a alguns estabelecimentos que revendiam os aparelhos. Eram desde lojas pequenas até outras de médio porte, a grande maioria em Nilópolis e uma em Belford Roxo. Também na coletiva, os delegados alertaram que quem for adquirir esse tipo de produto, precisa exigir a nota fiscal, a caixa do aparelho e o carregador. As investigações indicaram que compradores não tinham nenhum tipo de nota, o que fomentou a cadeia criminosa de roubo e receptação.

O titular da 51ªDP (Paracambi), delegado Fábio Asty, informou durante a entrevista que na operação foram presos quatro homens especializados em roubos em lotéricas, que, pelo menos, há seis meses roubavam lotéricas de São João de Meriti, de Nilópolis e na terça-feira passada (3) no centro de Paracambi. Os quatro foram presos quando se preparavam para realizar hoje mais um roubo. Com eles foram apreendidos os veículos e armas utilizados na ação.

Segundo a Sepol, no ano passado, as 19 delegacias da Baixada Fluminense indiciaram 3.249 ladrões, o que representou aumento de 46,35% em relação ao mesmo período de 2018.

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