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Beija-Flor de Nilópolis quer o adiamento do Carnaval

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Faltando sete meses da data reservada para o carnaval, a incerteza ainda dá o tom no mundo do samba. Por conta da pandemia de coronavírus, pouco se sabe sobre a festa do ano que vem. Por conta da pandemia de Covid-19, a diretoria do G.R.E.S. Beija-Flor de Nilópolis quer o adiamento dos desfiles. Assim como Mangueira, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel e São Clemente, a azul-e-branco nilopolitana irá votar pelo adiamento da festa por tempo indeterminado ou após o desenvolvimento de uma vacina.

A decisão sobre o futuro dos desfiles deve sair ainda nesta terça-feira (14), após uma reunião com os representantes das agremiações, que irá acontecer na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa). 

A possibilidade de transferência da data de início da folia de 14 de fevereiro para meados do ano que vem já não parece uma opção segura aos olhos de dirigentes. As agremiações lembram que dependem do trabalho de centenas de pessoas fechadas em barracões para confeccionar fantasias e carros alegóricos. Uma das hipóteses estudada seria transferir os desfiles para os feriados da Semana Santa, em abril, ou de Corpus Christi, em junho. A mudança no calendário está sendo capitaneada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), que defende uma solução conjunta para todos estados do país.

Os barracões das agremiações seguem parados. Apenas o planejamento dos desfiles — desenhos de fantasias e alegorias, projetos gráficos e construção das sinopses — está em andamento.

A proposta de estabelecer um calendário nacional comum para o carnaval, feita por ACM Neto, esbarra nas diferenças de estágio da pandemia nas cidades, alerta o infectologista e professor da Universidade Iguaçu (Unig), Roberto Falci Garcia.

— Cada cidade tem o seu tempo na pandemia. No Rio, hoje, por exemplo, há uma tendência de queda no número de casos, enquanto outras cidades ainda não chegaram ao pico da doença. Essa mesma discrepância pode acontecer no ano que vem, numa possível segunda onda de contaminação do novo coronavírus, caso não tenhamos uma vacina eficaz.

A Prefeitura do Rio disse, em nota, que a sugestão de ACM Neto será analisada tão logo chegue. Já a Prefeitura de Olinda destaca que não há uma decisão sobre o carnaval 2021, “pois ainda faltam sete meses para a data”.

A Riotur estuda alternativas e suspendeu, a pedido da Liesa, a divulgação dos preços dos ingressos na Sapucaí para o público estrangeiro. Também foi suspensa a liberação do caderno de encargos para as empresas interessadas em disponibilizar a infraestrutura do carnaval de rua, evento que reúne milhões de pessoas e exige, segundo a Riotur, um planejamento complexo e cuidados especiais. “O carnaval precisa de uma análise incluindo o número de casos, a evolução no tratamento da doença, a prevenção e até uma vacina, para garantir a viabilidade”, diz a nota.

Segundo Rita Fernandes, presidente da associação de blocos do Rio Sebastiana, a festa de rua também tem futuro incerto:

— Sem vacina, é complicado, pela natureza do carnaval, que é pura aglomeração. A imunização coletiva é a primeira condição. Além disso, temos algumas outras variáveis: vivemos um ano de eleição, com possível troca de comando na prefeitura, não sabemos como estará o mercado e a oferta de patrocínios para os cortejos, e também não sabemos qual será a resposta do público sobre a realização do carnaval. Hoje, não temos condições de dizer como e quando será o próximo carnaval.

Beija-Flor já tem enredo

Das 12 escolas do Grupo Especial, oito já divulgaram os enredos. A Viradouro, atual campeã, vai contar o carnaval carioca de 1919, conhecido como o maior do século passado, quando a população foi às ruas para comemorar o fim da gripe espanhola. Já a Paraíso do Tuiuti levará uma mensagem de proteção aos animais com o enredo “Soltando os bichos”, na volta do carnavalesco Paulo Barros à escola após 18 anos.

Na Mocidade e na Grande Rio, dois orixás serão temas centrais: Oxossi na escola de Padre Miguel, com “Batuque ao caçador”, e Exu na agremiação de Caxias, com “Fala, Majeté! Sete chaves de Exu”. A Vila Isabel fará homenagem a Martinho da Vila; a Portela contará a história dos baobás, as gigantescas árvores originárias da África; e a Beija-Flor quer enaltecer as glórias dos negros com “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”. Já o Salgueiro, com “Resistência”, vai falar da luta dos negros para preservar a cultura e a fé.

São Clemente, Mangueira, Unidos da Tijuca e Imperatriz Leopoldinense ainda não divulgaram os enredos a serem levados para a Sapucaí.

— A carnavalesca Rosa Magalhães tem uma ideia já fundamentada, mas a diretoria decidiu esperar — afirma Marquinhos Fernandes, da Imperatriz.

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