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Rua Mário de Araújo é teste de paciência 
para motoristas em Nilópolis

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Se existe uma rua onde a paciência deve ser a eterna companheira do motorista é a Mário de Araújo, que liga o bairro Nossa Senhora de Fátima ao Centro de Nilópolis. A via também é uma das principais opções para quem tem como destino os bairros Santos Dumont e o município de Mesquita, por isso, diariamente, cerca de 20 mil veículos passam por lá. O trecho mais complicado fica entre a rua Roldão Gonçalves e a Avenida Getúlio Vargas, que tem trânsito nos dois sentidos e o estacionamento permitido em ambos os lados. Além disso, a rua faz parte do itinerário da linha 06 (Maria Braga x Cabral), e tudo somado ao intenso tráfego de caminhões por conta de um depósito de materiais de construção na região. O resultado? A encrenca está armada.

Quem conhece bem os problemas da Mário de Araújo é o motorista aposentado José Marques, um dos primeiros moradores da rua. Quando se mudou para o endereço, ele se gabava de morar numa rua tranquila, exemplo de toda a região que, na última década, passou a ser alvo de inúmeros projetos imobiliários:

“A tendência é aumentar ainda mais o número de carros por causa dos edifícios que estão sendo erguidos nas proximidades. Esta rua deveria se transformar em mão única, só assim para o trânsito fluir”, reclama Marques, que hoje tenta encontrar um pouco de sossego em meio ao barulho do trânsito para restaurar objetos, como peças sacras e de decoração.

O fisioterapeuta Paulo Roberto, que já foi morador da região, confere aos estacionamentos permitidos a culpa dos principais problemas de tráfego na via:

“Toda semana, a trabalho, venho à Mário de Araújo e sempre encontro problemas. Certa vez, um ônibus chegou a esbarrar no meu carro, já que, por causa dos estacionamentos, a via fica muito estreita”, reclama Roberto, que hoje mora em Nova Iguaçu.

Para a professora de Letras, Maria Pimenta, os problemas são velhos conhecidos dos vizinhos e dos motoristas que passam por lá:

“Sempre escutei reclamações, mas nada de encontrar uma solução”, diz.

O aposentado João de Siqueira, passa diariamente pela rua para visitar parentes e já perdeu a conta das vezes que teve dor de cabeça:

“É complicado, pois é difícil encontrar vagas e os motoristas acabam estacionando em lugares proibidos, estreitando ainda mais a rua”, diz.

Este realmente é um dos fatores que intensificam os problemas. Muitos motoristas, com o conhecido jeitinho brasileiro, preferem estacionar de maneira irregular. Aí, a rua, que já é estreita por ser mão dupla, fica impraticável. Um bom exemplo são os ônibus que, na maioria das vezes, têm de engatar a marcha a ré para o outro veículo passar, o que gera congestionamentos, dependendo do horário.

Para o engenheiro de transportes Lucas Fernandes, ruas como a Mário de Araújo não foram construídas para serem vias importantes de ligação.

“Antes não havia a preocupação com o sistema viário e, quando chegamos a um problema de mobilidade como este, fica complicado gerenciar”, afirma.

Para o especialista, diminuir as áreas permitidas para estacionar em bairros residenciais não seria a melhor opção, porque prejudicaria os moradores e os visitantes do bairro.

“É, na verdade, um conjunto de causas, como o rápido crescimento da cidade, o grande número de veículos nas vias e a ineficiência do sistema público de transporte.”

Lucas aponta ainda que os entraves na região são reflexo do aumento da frota de Nilópolis e dos novos projetos imobiliários.

“Não é apenas a rua Mário de Araújo que está com problemas; outras importantes passagens também estão na mesma situação. As causas extrapolam os limites da cidade”, afirma.

Contudo, algumas medidas poderiam ser pensadas, como a adoção de mão única em alguns trechos, porém, ele já adianta que isso deve fazer parte de um conjunto de intervenções em todo o sistema de trânsito do município.

Complicações por toda parte

Nilópolis é cheia de outras ruas complicadas, principalmente no horário de pico. Os motivos são inúmeros: vagas de estacionamento em excesso, desrespeito às leis de trânsito e, claro, o alto número de veículos. A rua Marechal Castelo Branco é outra problemática. Quem tem de passar por lá por volta das 18h corre sérios riscos de ter um problema. A hora do retorno do trabalho é um dos períodos mais críticos, principalmente entre ruas João Pessoa e Elizeu de Alvarenga, onde se localiza um supermercado.

O taxista Wenderson Monteiro conhece bem os entraves:

“Tem ainda outros horários complicados, quando os motoristas estacionam nos dois lados da rua por causa dos bares”, diz.

E a rua Carmela Dutra, no Centro, por onde passam apenas pela manhã cerca de 16 mil veículos? Um dos principais problemas da via são os estacionamentos, permitidos nos dois lados em pelo menos dois quarteirões, que estreitam a via. Sem falar dos que insistem em parar em lugares indevidos.

A rua Antônio José Bittencourt, também apresenta problemas em qualquer hora do dia.

 

“Não adianta, todos os dias fica tudo agarrado”, desabafa.

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