Nilópolis Online
Notícias de Nilópolis todo dia

Motoristas de ônibus sofrem com o trânsito em Nilópolis

Motoristas de automóveis, de táxi e ônibus, motociclistas, ciclistas, pedestres, cadeirantes, crianças, jovens, adultos e idosos. Todos compõem o cenário de mobilidade nas ruas e avenidas de Nilópolis. São protagonistas de uma mesma história, com diferentes queixas e dificuldades, disputando espaços e que precisam conviver num trânsito cada vez mais diversificado. Para especialistas, a qualidade dessa mistura tem grande influência no comportamento da atmosfera urbana.

No entanto, na prática, o que se observa é um “Deus nos acuda”. Cada um parece ter um “rei na barriga”, o único que pode tudo, sem medo de sofrer com as consequências. E tome andar na contramão, subir em calçadas, bloquear cruzamentos, buzinar em excesso, estacionar nas esquinas, avançar sinais vermelhos. Impaciência, desrespeito, intolerância.

Quem percorre as ruas de Nilópolis conhece de perto os malefícios do trânsito travado. Mas a imobilidade não faz o povo deixar de usar o ônibus: a necessidade obriga seus habitantes a usarem as linhas que ligam os bairros da menor cidade da Baixada Fluminense. E também por obrigação e profissionalismo, trabalhadores enfrentam diariamente o trânsito nilopolitano. Um deles é José Xavier, 44 anos de idade, dos quais quase dez dedicados à função de motorista de ônibus.

COLISÃO ÔNIBUS E CARROS
Foto: Via Whatsapp

Seis dias por semana, quase sempre a partir das 5h, seu José inicia seu bravo expediente. Ao todo, cerca de oito horas diárias de trabalho e de muitas dificuldades se iniciam a partir da segunda viagem. Ruas estreitas, carros estacionados irregularmente, caminhões descarregando produtos para os comerciantes da região, fluxo de pedestres entre a pista, trabalhadores usando carros de mão, motoqueiros trafegando com extrema velocidade e pouca responsabilidade.

A lista de problemas é extensa, enquanto a atuação de orientadores de trânsito é inexistente nos bairros periféricos. É justamente nesses locais onde começa a imobilidade do sistema público de transportes em Nilópolis, assim como as reclamações dos condutores.

“É complicado! Muita gente já começa a atrapalhar o trânsito a partir das 8h, dali em diante, não tem jeito, tenho que ter calma”, relata o motorista.

Atento ao volante e às surpresas que surgem perante o ônibus, o motorista tenta driblar as complicações das vias públicas. É preciso respirar fundo e continuar com os olhos atentos para não se meter em acidentes. Mas manter a tranquilidade num fluxo caótico nem sempre é possível, e por isso seu José busca ser paciente independente do transtorno. Passada a imobilidade dos bairros, se engana quem pensa que as vias mais centrais são o ‘paraíso’ para os motoristas de ônibus. Eles enfrentam, mais uma vez, sequelas da falta de mobilidade, além dos conflitos que podem surgir com outros condutores. É no trânsito onde os ânimos podem se alterar quando a educação fica em segundo plano, além disso, motoristas de coletivos nem sempre são vistos com bons olhos pelos outros personagens do trânsito. Porém, seu José defende seu comportamento diário:

“Procuro respeitar os outros motoristas e sempre andar na minha faixa, mas tem gente que critica motorista de ônibus. As pessoas precisam saber que é difícil dirigir um veículo desse porte”, justifica o trabalhador. E na luta diária da imobilidade, seu José também tem suas queixas. Para ele, entre as pessoas que compõem o trânsito, os motociclistas são os que “dão mais trabalho”.

Após mais uma viagem de trabalho finalizada sem acidentes, seu José se mostra tranquilo e com a sensação de dever cumprido. Mas ele sabe, por toda experiência e relatos de colegas, que nem sempre o desfecho pode ser sem problemas. Segundo o trabalhador, o trânsito se resume a uma rotina difícil, mas necessária, porque tanto ele quanto os passageiros precisam do transporte público. Sobretudo, a postura de cada indivíduo infelizmente nem sempre será a correta.

“Mas se cada um fizer a sua parte, o trânsito ficará melhor”, complementa José.

ACIDENTE
Foto: Via Whatsapp

Por um trânsito melhor

Segundo o instrutor de direção defensiva Nilton Miranda, todo cidadão que faz parte do trânsito – partindo da ideia de que as pessoas são responsáveis pelo fluxo e comportamento nos espaços públicos – pode tomar atitudes para diminuir os problemas do dia a dia. É muito provável que condutores, passageiros e pedestres se deparem com discussões e erros que causam acidentes, mas o lado emocional deve estar equilibrado para que os imprevistos não terminem em discussão.

“São necessárias mudanças de mentalidade e muita esperança para que as coisas melhorem. No caso dos ônibus, quando o cliente (passageiro) é mal educado a orientação para o motorista é que ele responda com gentileza. A partir do momento em que o motorista age positivamente, o usuário é induzido a agir da mesma forma. Mas quando o condutor não consegue gerenciar o conflito e discute, o risco de acidentes aumenta”, explica o instrutor.

Miranda tem experiência em capacitações direcionadas para motoristas de ônibus e reconhece que o dia a dia desse profissional apresenta inúmeros desafios.

“Dirigir ônibus, principalmente urbano, não é nada fácil, pois as adversidades são muitas. Trânsito, horários apertados para cumprir, falta de estrutura em muitos terminais, passageiros estressados e nervosos são alguns exemplos de dificuldades. Quando falamos em direção defensiva, conscientizamos nossos motoristas da responsabilidade que é dirigir um coletivo, porque os veículos de maior porte são sempre responsáveis pela segurança dos menores”, justiça.

CARRO NA ESQUINA
Carro estacionado na esquina é autuado após atrapalhar passagem de ônibus. Foto: Sarah Camilo

Para evitar acidentes, o instrutor explica que o motorista de ônibus precisa entender em quais circunstâncias ele precisa reduzir a velocidade.

“A orientação é que, ao se aproximar de qualquer tipo de cruzamento ou interseção, o condutor do veículo deve demonstrar prudência especial, transitando em velocidade moderada, e mesmo que tenha a preferência deve trocar pela segurança. A gente sabe também que muitos motoqueiros se envolvem em acidentes de trânsito e para evitar acidentes com esses condutores, trabalho durante as capacitações a direção preventiva, em que o motorista de ônibus aprende a ampliar sua visão periférica, se antecipando, prevendo e evitando o acidente”, descreve o educador.

ÔNIBUS NO BURACO
Foto: Via Whatsapp

Por fim, o instrutor insiste na importância da educação no trânsito e respeito aos outros condutores, passageiros e pedestres.

“A solução pata melhorar o dia a dia é a educação, o conhecimento das normas de trânsito, porque o trânsito só vai melhorar quando a gente mudar”, finaliza.

você pode gostar também
Comentários
Carregando...

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Nós garantimos que está tudo certo com isso, mas você pode não desejar isso. Aceitar Saiba Mais