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Fórum aponta que 100% dos mortos em operações policiais em Nilópolis são pretos e pardos são

O boletim “Racismo e Violência na Baixada Fluminense” elaborado pelo Fórum Grita Baixada, com base em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), revela que das 404 pessoas mortas pela polícia na Baixada Fluminense, em 2020, 73% eram pretas ou pardas. A porcentagem é ainda maior em municípios como São João de Meriti (84,5%), Magé (83,3%), Belford Roxo (83,1%) e Duque de Caxias (75,9%) e chega a 100% em Nilópolis, onde das cinco pessoas mortas pela polícia no ano passado, todas eram pretas ou pardas.

“Existem muitas vítimas em que a raça não é identificada, e esse número pode ser muito maior. São dados produzidos pelos próprios policiais a partir dos boletins de ocorrência”, afirma o coordenador executivo do Fórum Grita Baixada, Adriano de Araújo, responsável pelo levantamento.

 

Para comparar, o boletim destaca a proporção da população de cada cidade que se declara preta ou parda. Os municípios com maior percentual de habitantes negros são Japeri (69,43%), Belford Roxo (66,59%) e Queimados (65,02%).

“A polícia, proporcionalmente, mata mais na Baixada Fluminense do que na cidade do Rio. Belford Roxo e Japeri são os municípios mais negros da Baixada e são justamente os dois municípios onde a letalidade policial é a mais alta de todas. Na Baixada, como um todo, já são números muito altos. Mais de 73% de pessoas negras sendo mortas já é uma evidência de seletividade racial”, afirma Adriano.

Para o autor da pesquisa, a questão racial está diretamente ligada ao território, a atuação da polícia demonstra isso:

“A Baixada é, em sua maioria, um território preto, e a favela também é um território majoritariamente ocupado por pessoas pretas. E fica na mentalidade que nesses territórios a polícia pode operar de forma diferente do que faz no Jardim Botânico ou na Lagoa, na Zona Sul da capital, por exemplo, porque são territórios vistos como de pessoas que não precisam ter seus direitos respeitados”.

Segundo Adriano, a solução para diminuir o racismo na atuação policial e, consequentemente, a letalidade passa pelo planejamento da segurança pública a longo prazo e pelo compromisso de governantes.

“A gente tem percebido através de pesquisas e diálogos que nos locais onde o poder público assume um compromisso claro e objetivo de reduzir homicídios e letalidade policial, isso acaba se concretizando. Então é pensar um planejamento de segurança a longo prazo, que não coloque em risco a comunidade local, com um trabalho de investigação e inteligência para sufocar os fluxos financeiros do crime organizado”, justifica.

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