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Alta dos combustíveis acelera o risco de colapso no sistema de ônibus de Nilópolis

A Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) divulgou, nesta quinta-feira (30) uma nota preocupante. A alta acumulada de mais de 51% no preço do óleo diesel em 2021 torna a operação das empresas de ônibus insustentável. Hoje o litro do óleo diesel custa R$ 4,35 em média para as empresas.

A Federação alega que o novo reajuste pressiona ainda mais o setor, que vive o seu esgotamento financeiro devido ao aumento dos custos de operação nos últimos três anos, sem a compensação tarifária adequada, comprometendo a prestação de um serviço essencial à população.

Em Nilópolis a crise pode provocar a paralisação das linhas municipais. Estima-se que só nos últimos dois anos houve uma queda de 60% dos passageiros pagantes. E para piorar o cenário, em média 40% do total de passageiros transportados pelos ônibus das linhas municipais não pagam passagem. São idosos, estudantes e outros beneficiários das gratuidades concedidas por lei e cujo custo não é repassado às empresas.

PONTO DE ÔNIBUS
Linhas de ônibus perderam 60% dos passageiros pagantes nos últimos dois anos. Foto: Divulgação

 

Ainda de acordo com a Fetranspor, com a crescente oscilação do preço do combustível, o óleo diesel passa a ser o principal item no custo de operação das empresas de ônibus, representando agora 31% do total. O percentual é superior aos gastos realizados com salários dos rodoviários (25%) e encargos sociais (11%). Com a alta acumulada, a Federação argumenta que o impacto direto no custo das empresas de transporte é extremamente elevado e deve ser repassado, de forma imediata, para o cálculo da tarifa de transporte.

“A crise já custou mais de 20 mil postos de trabalho do setor de transporte e levou à interrupção definitiva das atividades de 16 empresas operadoras, levando outras 13 e mais dois consórcios operacionais a pedidos de recuperação judicial. Em caráter urgente, a Fetranspor faz um apelo ao governo federal, ao governador do estado e aos prefeitos dos municípios para que, de forma conjunta, busquem uma solução efetiva e permanente para o financiamento do transporte público, encontrando um novo modelo que não seja baseado apenas no passageiro pagante e que possa compensar as altas expressivas e sucessivas dos custos de operação, que podem comprometer a prestação do serviço público e afetar negativamente toda a população, em especial os mais vulneráveis”, informou Fetranspor, que fez ainda um apelo para que as autoridades busquem uma solução para a situação do setor.

Projeto poderia dar um fôlego para as empresas

O Prefeito de Nilópolis, Abraão David Neto (PL), encaminhou à Câmara Municipal o Projeto de Lei Ordinária 61/2021, que implanta no município o Sistema de Bilhetagem Eletrônica para os alunos da Rede Municipal de Ensino e regula o processamento da compensação do ISSQN das empresas de transporte público de passageiros.

Em resumo, o PL, que foi recebido na última semana de agosto e já está em tramitação, prevê que os estudantes da Rede Municipal de Ensino possam viajar gratuitamente nos ônibus que fazem as linhas municipais e o custeio dessas viagens e das demais gratuidades sejam repartidas entre as empresas de ônibus e a Prefeitura de Nilópolis.

Caso a Lei estivesse em vigor, o município pagaria R$ 1,975 por cada vez que um beneficiário de gratuidade encostasse o cartão no validador. A outra metade ficaria por conta da empresa de ônibus.

Para o especialista em transporte público, Pedro Vicente, a iniciativa pode dar um fôlego para as empresas de ônibus:

“O setor de transporte público vive uma crise jamais vista anteriormente. A concorrência com os carros de aplicativo e o transporte alternativo fez com que as empresas de ônibus perdessem passageiros. Acredita-se que hoje a maioria das linhas municipais dê prejuízo às empresas. Caso o Projeto de Lei seja aprovado, além do custeio de metade do valor de cada passagem dos estudantes, as empresas podem acabar lucrando com as passagens pagas integralmente pelos acompanhantes destes estudantes, já que a maioria deles tem idade abaixo dos 15 anos”.

Ainda não há previsão de quando a Câmara Municipal dará início a votação do projeto.

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