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Autoridades ignoram abandono de animais na Via Light

O trecho da RJ-081, oficialmente denominada Rodovia Carlinhos da Tinguá e popularmente conhecida como Via Light, que corta os municípios de Nilópolis, Mesquita, Nova Iguaçu, São João de Meriti e Rio de Janeiro, virou ponto de desova de animais. Ao longo dos seus 10,60 km de extensão é possível ver restos de cavalos, cachorros e outros animais que foram deixados ali já mortos ou pior ainda, vivos para morrerem.

A crueldade, ocasionada por quem sabe da falta de aplicabilidade das leis de proteção aos animais, é ignorada pela Fundação Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro – DER, que é a responsável pela operação da Via Light, quanto a concessionária de energia elétrica, Light, que responde pelos terrenos que estão sob as torres de sua propriedade.

Segundo relatos de moradores, cavalos doentes e que não conseguem mais puxar carroças são deixados para morrer às margens da estrada.

“Aqui, os carroceiros deixam os cavalos e as éguas que já estão à beira da morte. Os bichinhos nem conseguem se mover, mas mesmo assim alguns ainda tentam um último esforço para sobreviver e ao atravessarem as pistas acabam sendo atropelados. Com isso, vivemos à mercê do risco de acidentes e do forte cheiro de putrefação, além dos lixos que são jogados pela área”, denuncia uma moradora do local, sob condição de anonimato.

O mesmo acontece com animais de pequeno porte. Cães, gatos e até mesmo aves, são simplesmente abandonadas na via para morrerem. E assim como os cavalos, para sobreviverem, se arriscam tentando buscar uma sobrevida, é ai que são atropelados:

“Infelizmente eu já vi alguns bichinhos serem atropelados ao tentar buscar um abrigo. Quando dá eu mesmo vou lá e tento tirar eles da estrada, mas nem sempre dá pra salvar. Dá pena e raiva ao mesmo tempo, mas não temos como salvar todos”, lamenta a moradora de Mesquita, que pediu para ser identificada como Jéssica.

Em uma das margens, no trecho localizado no bairro Cabuís, uma carcaça de cavalo apodrecia em meio ao trânsito. Segundo populares, o animal foi mais uma vítima da crueldade de seu antigo dono:

“Deixaram o bichinho ai doente e foram embora. Dá uma tristeza e uma sensação horrível ver o sofrimento e não ter como ajudar. Se eu tivesse pelo menos um pouquinho de mais dinheiro tentaria ajudar”, lamentou emocionada uma moradora que também não quis se identificar.

Abandono é resultado do jogo de empurra

LIXO NA VIA LIGHT
Foto: Reprodução da Internet / O Dia

 

O abandono da Via Light é resultado de um jogo de empurra. Apesar de ser administrada pelo Governo do Estado, através da Fundação Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro – DER, o órgão cuida apenas de manter as condições da via. Fora dela, diz o órgão, a responsabilidade pode ser das prefeituras quanto da concessionária de energia elétrica, Light.

Mesmo assim, a RJPET, subsecretaria da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, que em tese é a responsável por promover projetos de defesa e bem-estar de animais, raramente atua na via. O mesmo acontece com as secretarias municipais das cidades que ficam ao longo da Via Light.

“Infelizmente o poder público não cuida dos animais que são abandonados aqui. Nem Estado e nem as prefeituras atuam aqui”, resumiu um outro morador.

Maus-tratos é crime

O abandono de animais é considerado crime de maus-tratos no Brasil, pela Constituição Federal e pela Lei de Crimes Ambientais, Lei nº 9.605/98. Além de cruel e desumano, abandonar animais em logradouros públicos é crime.  Quem cometê-lo deverá ser punido com prisão, multa ou a perda da guarda do animal, de acordo as leis vigentes em nosso país.

A Lei é válida para quaisquer tipos de animais silvestres, domésticos, nativos ou exóticos, de pequenos, médios ou grande porte.

Atualmente, a legislação prevê pena de detenção de três meses a um ano e multa para quem pratica atos contra quaisquer tipos de animais silvestres, domésticos, de todos os portes, nativos ou exóticos.

“A Lei existe mas a punição é cada vez mais rara em nosso país. No caso da Via Light, a falta de presença do Poder Público e a presença do crime organizado em vários pontos, faz com que a rodovia seja o local ideal para a prática dos crimes, restando apenas a própria sociedade civil, que tenta de alguma forma fazer algo pelos animais”, disse a protetora de animais Cláudia Firmino.

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