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Falta de um representante de Nilópolis na ALERJ faz com que nilopolitanos sofram com a Supervia

Não é de hoje que a concessionária de trens urbanos SuperVia desrespeita os moradores de Nilópolis. Há muito tempo que os nilopolitanos sofrem com os problemas causados pela empresa. A Falta de acessibilidade e a insegurança nas estações, aliado a a retirada da composição especial Nilópolis x Central do Brasil, são alguns desses problemas.

Para o cientista político Marcos Martins, a falta de um representante na Alerj – Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, deixa os nilopolitanos sem força para brigar por seus direitos junto à concessionária e ao próprio Governo do Estado:

“A exploração do serviço ferroviário é uma concessão do Governo do Estado e quem deve fiscalizar essa operação é o Poder Legislativo. Quando o município não tem nenhum representante entre os parlamentares, fica sem força para brigar por seus direitos, como é este o caso. Hoje Nilópolis vive a mercê do que a concessionária e o Governo do Estado fazem”, explicou.

TREM NILÓPOLIS
O Trem saia de Nilópolis com destino à Central do Brasil todas as manhãs. Foto: Reprodução da Internet

 

Marcos cita como exemplo a composição especial, que fazia a viagem ligando Nilópolis à Central do Brasil, e de março de 2012 à março de 2017, servia aos nilopolitanos, que podiam embarcar em um trem sem os atropelos das composições que partem de Japeri ou Nova Iguaçu.

“Nos cinco anos em que existiu a viagem especial, Nilópolis teve três deputados diferentes, sendo dois em uma mesma legislatura. Alessandro Calazans e Ricardo Abrão nos anos de 2011 à 2015; e Farid Abrão que ficou no mandato apenas entre os anos de 2015 e 2016, quando deixou a ALERJ para assumir como prefeito de Nilópolis. Importante observar que desde 2017 Nilópolis não tem nenhum representante para a ALERJ”, disse o cientista político.

Vereador faz a sua parte

LEANDRO HUNGRIA
O Vereador Leandro Hungria já brigava com a SuperVia por melhores condições para os nilopolitanos. Foto: Divulgação

 

Sem poder contar com representantes genuinamente nilopolitanos o vereador Leandro Hungria (Solidariedade), que em 2018 era apenas mais um dos usuários indignados dos trens, resolveu pedir ajuda ao deputado Rodrigo Amorim (PTB). Ele iniciou uma verdadeira batalha contra a SuperVia, inclusive com participações presenciais, do até então empresário Leandro Hungria. Mas no ano seguinte a parceria foi rompida e agora, como vereador, Leandro deu continuidade ao trabalho, apresentando requerimentos e indicações legislativas, além de ofícios. Mas é preciso mais, como conta o cientista político:

“O trabalho de um vereador, no que tange ao serviço da SuperVia é bastante limitado. A concessão é outorgada pelo Governo do Estado, o Leandro Hungria está fazendo seu papel conforme lhe é conferido pela Lei, pois o dever de fiscalizar fica a cargo dos deputados”, explica Marcos Martins.

MARCELO E SERGIO SESSIM
Os irmãos Sergio e Marcelo Sessim. Foto: Acervo Pessoal

 

Pré-candidato a uma das 70 vagas na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o médico Marcelo Sessim, irmão do ex-prefeito Sergio Sessim e filho do ex-deputado federal Simão Sessim, concorda que Nilópolis precisa voltar a ter representatividade na política estadual:

“Durante 40 anos meu pai, Simão Sessim, defendeu os interesses dos nilopolitanos lá em Brasília, mas sempre tínhamos pelo menos um representante de Nilópolis na ALERJ. Depois que perdemos essa representatividade, nos vimos estagnados. Não é só a questão da SuperVia que preocupa os nilopolitanos. Os transportes intermunicipais como um todo deixam os moradores chateados, são horas perdidas no deslocamento entre as residências e os locais de trabalho. E para quem usa carro, também passa por problemas. As vias que ligam Nilópolis às principais rodovias estão muito ruins, enfim, realmente é preciso que haja alguém que interceda pelo município junto às esferas maiores”, disse.

Um trem de problemas

CADEIRANTE CARREGADO NO COLO NA SUPERVIA ESTAÇÃO
Cadeirante é carregado no colo na estação de Nilópolis. Foto: Via Whatsapp

 

Se o cidadão comum infringir uma lei ele pode acabar preso, mas com a concessionária SuperVia a coisa é diferente. A Lei Federal nº 10.098, popularmente conhecida como Lei da Acessibilidade, desde 2000 estabelece normas e critérios para promover a facilidade de acesso tanto de pessoas portadoras de deficiência como daquelas com mobilidade reduzida (como uma gestante, por exemplo). Em resumo, a Lei prevê a eliminação de barreiras e obstáculos que impedem ou limitam o acesso e a circulação nos espaços. Ou seja, tudo aquilo que prejudica a autonomia no dia a dia.

Mas chegamos ao ano 2022 e a concessionária nada fez para se adequar a Lei Federal nº 10.098 e para piorar, até o Ministério Público do Rio de Janeiro aceitou as desculpas da concessionária. Através de um Termo de Ajustamento de Conduta, celebrado no dia 22/03, a SuperVia ganhou prazo até 2028 para se adequar a Lei. Ou seja, até lá a concessionária continuará infringindo a Lei e sem receber qualquer punição.

Outro desrespeito da concessionária diz respeito ao horário de funcionamento das bilheterias que ficam no mezanino localizado em frente ao Terminal Rodoviário de Nilópolis. Na contramão da integração entre os meios de transporte, a concessionária restringiu o atendimento da bilheteria localizada em frente ao Terminal Rodoviário, dificultando assim a integração entre os modais (ônibus, trens e táxis). O uso delas só pode ser feito de segunda a sexta-feira, das 04h30 às 10h. Fora desse horário o jeito é desembarcar dos ônibus e caminhar até as outras bilheterias.

Acha que acabou ? Que nada, ainda tem mais vagões de problemas.

Com o contrato debaixo dos braços, os executivos da SuperVia dizem que a segurança nas plataformas e estações é de responsabilidade da Polícia Militar, a SuperVia se exime da culpa pelos assaltos, que se tornaram cada vez mais constantes nas estações localizadas em Nilópolis.

ESTAÇÃO DE OLINDA
A antiga estação de Olinda em foto de 2007. Foto: Reprodução da Internet

 

E a antiga estação de Olinda ? Virou símbolo do desprezo da empresa pelo passado. Hoje o que se restou é apenas uma passarela, que por sinal, está em péssimas condições, inclusive deixando moradores e usuários do sistema ferroviário com muito medo.

Os atrasos constantes, as péssimas condições das passarelas, enfim, o trem de problemas chamado SuperVia tem muitos vagões…

“Realmente Nilópolis precisa ter representantes tanto em Brasília quanto na ALERJ. Quando fui prefeito, tinha o meu pai, Simão Sessim, lá em Brasília e aqui na ALERJ, dois deputados representaram o município. Muita gente pensa que os deputados servem apenas para conseguirem verbas para os municípios, mas o papel deles vai muito mais além. Um deles é justamente o de apoiar os municípios nas demandas junto às esferas superiores. É preciso que o povo nilopolitano entenda isso e eleja quem realmente seja comprometido com Nilópolis. Neste ano teremos essa oportunidade e peço a todos que amem essa terra, pesquisem a vida dos candidatos, se realmente tem uma história de relação profunda com Nilópolis ou se quer apenas se aproveitar da nossa gente”, concluiu o ex-prefeito Sergio Sessim.

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