No dia 2 de julho de 2025, o prefeito de Nilópolis, Abraão David Neto, sancionou a Lei 6896/2025, que institui oficialmente o Dia Municipal da Cultura, a ser celebrado anualmente em 5 de novembro. A iniciativa, originada no Projeto de Lei 56/2025 do vereador Leandro Hungria, foi aprovada por unanimidade em duas votações no plenário Vereador Orlando Hungria da Câmara Municipal.
A nova legislação visa promover manifestações populares, incentivar a produção artística local e fortalecer a identidade cultural nilopolitana por meio da união de esforços entre entidades públicas e privadas. Segundo o autor da lei, vereador Leandro Hungria, “A cultura é a alma viva de Nilópolis, e com essa lei, nós institucionalizamos uma data que não é apenas comemorativa, mas estratégica. O Dia Municipal da Cultura será um momento anual de encontro entre artistas, comunidade, escolas e instituições para valorizar nossa identidade, nossa criatividade e nossa história. Quando a cultura é celebrada como política pública, ela deixa de ser apenas entretenimento e passa a ser transformação.”

A iniciativa aproxima Nilópolis de outras cidades fluminenses que também investem na institucionalização da cultura como política pública. Em Duque de Caxias, por exemplo, o Dia Municipal da Cultura é celebrado em 20 de março, com homenagens ao artista Francisco Barbosa Leite, enquanto em Japeri a data escolhida é 4 de março, marcada por oficinas e apresentações em espaços públicos. No município do Rio de Janeiro, embora não haja uma data exclusiva, as comemorações do Dia Nacional da Cultura, em 5 de novembro, ganham relevância com cerimônias oficiais, como a entrega da Ordem do Mérito Cultural Carioca no Museu de Arte do Rio.
A professora de artes visuais Márcia Pacheco, moradora do bairro Novo Horizonte, celebrou a conquista:
“É mais que uma data. É uma oportunidade de mostrar que a cultura nilopolitana tem força e merece espaço.”
Já o produtor musical Carlos Menezes, do bairro Olinda, afirmou:
“Já estamos em contato com grupos de dança e teatro para ocupar as praças. O reconhecimento oficial nos motiva ainda mais.”
Para a estudante de História Jéssica Andrade, do bairro Cabuís, o impacto será também educacional:
“A escola pública pode ganhar muito com essa data, trazendo debates e exposições culturais que valorizam nossa identidade.”

A importância de iniciativas como essa também é reconhecida por especialistas. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou durante o Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas que “Hoje temos a oportunidade de estruturar uma política cultural sólida, regulamentar o Sistema Nacional de Cultura e garantir um orçamento continuado. Isso nos permite formular políticas com mais qualidade e atender melhor o setor cultural”. Ela destacou que a atuação dos municípios é essencial para manter conquistas culturais mesmo diante de desafios políticos.
Já o mestre em preservação do patrimônio cultural pelo IPHAN, Jefferson Dias (Mestre Biriba), reforça que leis municipais como a de Nilópolis são mais que atos administrativos: “Implantar um sistema municipal de cultura é um gesto de coragem política e amor pelo povo. É entender que cultura é direito, é pertencimento, é cidadania. Que cada artista é um educador da sensibilidade”.
Outro marco importante para a cultura local é a reinauguração do Teatro Municipal de Nilópolis, prevista para o segundo semestre de 2025. O novo espaço, com 364 lugares, está sendo construído ao lado da rodoviária, entre a Avenida Getúlio de Moura e a Rua Frei Ludolf, no Centro da cidade. O projeto inclui foyer com cafeteria, palco amplo, camarins, salas de exposição, oficinas de cenário e uma biblioteca reativada. A obra, orçada em mais de R$ 10 milhões, é realizada em parceria com o Governo do Estado e integra o programa municipal Dá-lhe Obras.

A reconstrução do teatro — demolido em 2013 para dar lugar a um estacionamento — é fruto de uma indicação legislativa do vereador Leandro Hungria, que defende o espaço como símbolo da retomada cultural da cidade. A proposta recebeu apoio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Nacional de Artes (Funarte), que visitou o local em junho para avaliar sua inclusão na Lei Rouanet, permitindo captação de recursos via incentivo fiscal.








