Passageiros que aguardam transporte público em pontos estratégicos da cidade estão vivendo momentos de tensão e medo. Segundo relatos de moradores e trabalhadores, os assaltos têm se tornado frequentes nas imediações do Mercado Popular Vereador Alyrio Cardoso, na Avenida Getúlio de Moura, e nos dois pontos localizados na Avenida Getúlio Vargas, próximos à Avenida Mirandela.
A situação se agrava especialmente após as 21h, quando o comércio local já está fechado e muitos trabalhadores se dirigem aos pontos para retornar para casa. O padrão dos crimes preocupa: geralmente dois homens em uma motocicleta abordam as vítimas, apontam armas e exigem celulares e objetos de valor. A maioria das vítimas relatadas são mulheres.
“A gente sai do trabalho cansada e ainda tem que ficar com medo no ponto. Já vi gente sendo assaltada aqui duas vezes só esse mês. Não tem segurança nenhuma depois das nove da noite”, disse uma passageira que não quis se identificar.
Noralice Mattos, acrescenta:
“Eles chegam de moto, apontam a arma e levam tudo. É sempre do mesmo jeito. A gente já sabe que vai acontecer, só não sabe quando.”
Além da violência, os moradores denunciam a ausência de policiamento. “É raro ver uma viatura da Polícia Militar passando por aqui à noite”, afirma uma moradora que preferiu não se identificar. Eles também pedem o retorno do apoio da Guarda Municipal, que segundo eles, costumava manter viaturas fixas nessas regiões, o que ajudava a inibir a ação dos criminosos.
“Antes tinha viatura da Guarda Municipal parada aqui. Isso ajudava muito. Agora não tem mais nada, e os bandidos sabem disso.”, lamenta outro morador.
Apesar da cobrança, é importante esclarecer que o policiamento ostensivo é uma atribuição constitucional do Governo do Estado, por meio da Polícia Militar. A Guarda Municipal, vinculada à Prefeitura, tem como função principal a proteção do patrimônio público e o apoio a ações de ordem urbana. Ainda assim, os moradores acreditam que a presença da Guarda, mesmo que em caráter complementar, poderia contribuir para a sensação de segurança e prevenção de crimes nesses pontos críticos.

Nilópolis é cercada por comunidades onde o tráfico de drogas se impõe, como a Chatuba e o Chapadão. Segundo informações da Polícia Civil, muitos dos criminosos que atuam na cidade vêm dessas áreas, realizam os roubos e retornam rapidamente para essas comunidades, dificultando a ação das forças de segurança. Esse padrão de mobilidade entre municípios tem sido um desafio constante para o combate à criminalidade na Baixada Fluminense.
Outro ponto crítico é a iluminação pública. No trecho em frente ao Mercado Popular, a escuridão facilita a ação dos criminosos. Apesar de haver postes com luminárias instaladas na região, os moradores afirmam que a iluminação atual não é suficiente para garantir a segurança dos passageiros que aguardam condução no local. Eles pedem à Prefeitura a instalação de refletores mais potentes especificamente no lado da calçada onde está o ponto de ônibus, para ampliar a visibilidade e dificultar a ação de criminosos durante a noite.
“A iluminação que tem não é suficiente. Esse lado da calçada onde fica o ponto de ônibus fica muito escuro à noite. Precisamos que a Prefeitura instale refletores aqui, pra aumentar a segurança de quem espera condução”, disse uma passageira que preferiu o anonimato.
Outro fator que contribui para a vulnerabilidade dos passageiros é a demora dos ônibus. Moradores reclamam que a empresa Nilopolitana, responsável por linhas que atendem os bairros Manoel Reis e Nossa Senhora de Fátima, tem abandonado esses trajetos no período noturno. Segundo eles, os ônibus circulam com regularidade apenas até as 20h, obrigando os passageiros a esperar por outras linhas que demoram muito a passar.
“Depois das oito da noite, quem mora no Manoel Reis ou em Fátima fica largado. A gente tem que esperar muito tempo por outro ônibus, e nesse intervalo é que os assaltos acontecem”, diz Laurinete Bezerra, que complementa:
“Tem que tirar a Nilopolitana, eles não estão trabalhando direito. No bairro Nossa Senhora de Fátima agora tem mais uma linha de ônibus, já ajuda, mas pra quem vai pra Manoel Reis não tem outra linha. A gente fica na dependência se o ônibus vai passar ou não e essa espera nos faz ficar vulneráveis”.
Em nota, a Polícia Militar informou que realiza policiamento ostensivo na região e que atua em parceria com as demais forças de segurança com base na análise da mancha criminal. A corporação orienta que a população registre boletins de ocorrência na delegacia sempre que for vítima ou testemunha de crimes, pois esses dados são fundamentais para o planejamento das ações policiais. A PM também afirmou que vai reforçar o patrulhamento nos pontos citados.
A comunidade espera que as autoridades tomem providências urgentes para garantir a segurança dos cidadãos que dependem do transporte público diariamente.









