Um ato de crueldade chocou os moradores do bairro Nova Cidade no início da noite desta segunda-feira (20). Um motociclista atropelou um cachorro comunitário na esquina das ruas Joaquina de Albuquerque e São Mateus e, segundo imagens já entregues à polícia, não fez qualquer tentativa de desviar ou prestar socorro ao animal, que morreu no local.
O cão era conhecido e cuidado por diversos moradores da região, que estão profundamente abalados com o ocorrido.
“Era como se fosse de todos nós. Ver ele ser atropelado daquela forma e o motociclista seguir como se nada tivesse acontecido é revoltante”, disse uma moradora.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento do atropelamento. É possível ver que o motociclista não reduziu a velocidade nem tentou evitar o impacto, o que levanta suspeitas de dolo ou, no mínimo, negligência grave. A polícia está analisando o material e pode abrir investigação com base na Lei 6703/22 que obriga o socorro a animais atropelados.
A legislação em vigor em Nilópolis determina que qualquer pessoa que atropele um animal deve prestar socorro imediato. O descumprimento pode resultar em multa e responsabilização civil. A lei faz parte de um conjunto de medidas aprovadas pelo vereador Leandro Hungria, que também é autor da Lei do Animal Comunitário, reconhecendo o direito desses animais de viverem sob proteção da comunidade.
O atropelamento ocorreu a poucos metros da Clínica Veterinária Municipal de Nilópolis, atualmente em construção na Rua Antônio Cardoso Leal, no bairro Nova Cidade. A previsão de entrega é para dezembro de 2025.
“A gente escuta há meses que essa clínica vai ser um marco na proteção dos animais em Nilópolis, mas enquanto ela não sai do papel, os bichos continuam morrendo nas ruas. O cachorro foi atropelado a poucos metros de onde deveria existir um centro de atendimento. Se essa clínica estivesse funcionando, talvez esse animal tivesse tido uma chance”, lamenta Luiz Fernando.
Moradores relatam que esse não é um caso isolado. Já houve outros acidentes envolvendo motociclistas na região, incluindo um episódio em que uma criança ficou gravemente ferida. Além disso, há denúncias de que a área virou rota de fuga para assaltantes em motocicletas, que passam em alta velocidade pelas ruas do bairro.
A comunidade pede urgência na instalação de redutores de velocidade, retorno das blitzes policiais, maior fiscalização e campanhas de conscientização sobre o respeito à vida — humana e animal.
“A gente não vê mais blitz, não vê fiscalização. Os motoqueiros fazem o que querem. Tem gente fugindo da polícia por aqui como se fosse corredor de fuga. E quem paga é a população — com medo, com acidentes, com vidas perdidas.” — disse outro morador indignado.
Diante da repercussão do caso e da comoção entre os moradores de Nova Cidade, o vereador Leandro Hungria, autor de diversas leis voltadas à proteção animal em Nilópolis, se manifestou publicamente. Ele lamentou o ocorrido, reforçou seu compromisso com a causa e pediu o apoio da população para que o responsável seja identificado:
“Estou acompanhando esse caso com atenção e profunda tristeza. Lamento profundamente o ocorrido e me solidarizo com os moradores de Nova Cidade, que perderam um animal querido por todos. A crueldade e a omissão não podem passar impunes. Confio no trabalho da Polícia Civil e nas autoridades competentes para que a justiça seja feita. E reforço: a população tem um papel fundamental. Quem tiver qualquer informação, que denuncie. O anonimato é garantido, e cada denúncia pode ser decisiva para responsabilizar quem cometeu esse ato.”
A Polícia Civil orienta que o motociclista envolvido no atropelamento compareça voluntariamente a uma delegacia para prestar esclarecimentos. A corporação também solicita que qualquer pessoa que tenha informações sobre o caso entre em contato pelo telefone (21) 2253-1177. O anonimato é garantido.
“Isso não foi um acidente, foi um ato de crueldade. O motociclista viu o cachorro e simplesmente não se importou. Ele passou por cima como se fosse nada. Esse animal era parte da nossa comunidade, era amado, cuidado, respeitado. E agora está morto por causa da irresponsabilidade e frieza de alguém que sequer teve a decência de parar. Se a lei existe, que seja aplicada. E se ele tem consciência, que se apresente. Porque aqui ninguém vai esquecer o que aconteceu e que ele pense duas vezes antes de ficar correndo aqui no bairro”, disse um morador.








