História da Expresso São Francisco

Foto: Site Oficial da Empresa

Com o final da II Guerra Mundial, muitos italianos deixaram sua pátria em busca de oportunidades em outros países. Boa parte deles encontrou no Brasil um lugar seguro, onde poderia construir um patrimônio. Um desses italianos tem nome e tradição no setor de transporte coletivo: Giuseppe Grosso, fundador da Viação Expresso São Francisco.

Garagem da empresa em foto da década de 80. Foto: Site Oficial da Expresso São Francisco

Em 1955, aos 16 anos de idade, ele deixou a Itália e, depois de 14 dias a bordo de um navio, chegou ao Brasil. A língua e os costumes diferentes não foram obstáculos para quem, ainda menino enfrentou as dificuldades de um país destruído pela guerra, quando para estudar, precisava caminhar cerca de 10 quilômetros de casa até a escola – e descalço.

Giuseppe lembra com saudade de quando começou no ramo de transportes de passageiros. Foi quando soube que a Rápido Brasileiro, empresa de ônibus que deu origem a extinta Turismo Trans1000, possuía ônibus agregados, ou seja, cada carro pertencia a um dono diferente. Pronto ! Esta informação bastou para que o italiano encontrasse ali uma nova oportunidade. Ele fez plantão na garagem da empresa e depois de horas foi recompensado, pois saiu de lá com o seu primeiro ônibus, o de numero 22. Para quem veio de tão longe, um carro era pouco, e , depois de algum tempo, comprou outro veículo, o de numero 30. Com a expansão do negócio surgiu a necessidade de contratar um motorista, mas a comemoração da nova aquisição durou pouco. Logo no primeiro dia de trabalho o condutor sofreu um acidente. “Quando eu vi, chorei como uma criança”, lembra Giuseppe, que logo depois sofreu novo prejuízo, com o roubo de peças caríssimas do outro ônibus.

Giuseppe encontrou ânimo para continuar o que prometeu a seu pai, quando deixou a Itália: manter a dignidade e vencer. Desde que chegou ao Brasil, este era seu único objetivo. Chegou a ser empregado de uma fábrica durante dois anos, mas depois resolveu que já era hora de trabalhar por conta própria. Juntando cada trocado que havia economizado em uma caixinha, fez sociedade com mais cinco pessoas para comprar um carrinho de mão, chamado de “burro sem rabo”, para trabalhar no mercado da Praça XV. Ele fazia entrega de mercadorias, inclusive de frutas.

Sempre obstinado, continuou guardando seu suado dinheiro na caixinha. Em 1958, Giuseppe decidiu comprar um caminhão que apesar de velho, ainda aguentava o rojão da estrada. Dois anos depois, ousou novamente e comprou um novo, à prestação. Tinha dinheiro apenas para a entrada, mas, para quem veio para o Brasil sem quase nada no bolso, e com muita vontade e coragem, conseguir dinheiro para honrar a dívida era questão de tempo, de trabalho e de muito esforço. O rapaz não escondia a felicidade de ser o dono do primeiro caminhão novo já visto no mercado da Praça XV. À frente do volante, Giuseppe alcançou a estrada, fez viagens para outros estados e conheceu lugares nunca imaginados. O verbo transportar já tinha tomado conta de sua vida.

Do caminhão para o ônibus foi questão de tempo. Quando já era dono de dois ônibus agregados, o italiano recebeu a notícia da morte do pai. “Pensei em desistir de tudo”, conta. Mas fez exatamente o contrário. Resolveu apostar alto e comprou dois ônibus da Transportes Vilma, que fazia a Linha Soares Neiva – Nilópolis (existente até hoje), para fundar uma empresa. Assim, em 1º de Abril de 1967, nasceu a Expresso São Francisco.

O nome é uma homenagem ao santo do qual é devoto e cuja história conheceu desde criança, pois a cidade onde nasceu São Francisco fica próxima à província de Belvedere Marítimo, em Cocenza, onde Giuseppe nasceu. As cores escolhidas para a pintura da frota, vermelho, verde e branco, foram mais uma homenagem, desta vez à bandeira italiana. Mais tarde, a empresa homenageou a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis com a impressão da ave em seu layout. “Foi por causa da cidade de Nilópolis, que se tornou conhecida devido à escola de samba Beija-Flor, chamada de Beija-Flor de Nilópolis e cuja cor é azul e branco”, conta o diretor Avelino Correia.

Com os negócios crescendo e dando certo, Giuseppe viu que era hora de vender os ônibus agregados, e comprar outros veículos para a São Francisco.

Em resumo, o crescimento da Expresso São Francisco se deve a aquisição de linhas de tradicionais empresas de Nilópolis, como a Transportes Vilma, Nossa Senhora da Conceição e Viação Irene. A Expresso São Francisco é atualmente a empresa que detém o maior número de linhas municipais em Nilópolis, além de ter linhas ligando o município à Nova Iguaçu e Mesquita e uma linha que foge a este eixo, é a 180I (Nova Iguaçu x Japeri).

O começo

Um dos primeiros ônibus da empresa. Foto: Site Oficial da Expresso São Francisco

Inicialmente, a frota era composta por apenas dois veículos que operavam na linha Soares Neiva – Centro, adquirida com a compra da Transportes Vilma. Em 1972, a empresa já contava com cinco ônibus, que além da linha inicial, operavam também na linha circular Maria Braga x Augusto Paris.

Com a compra da Viação Nilópolis sua frota e número de linhas cresceram. Em 1979 a empresa adquiriu trinta ônibus e algumas linhas da Viação Nossa Senhora da Conceição. Foi a entrada da Expresso São Francisco em território iguaçuano. As linhas municipais Fábrica de Pólvora x Centro, Centro x Delamare e Rua da Serra x Centro, foram depois transformadas em intermunicipais, após a emancipação do então distrito de Mesquita, ocorrida em setembro de 1999.

Pintura da empresa na década de 80. Foto: Reprodução da Internet

Além das então linhas municipais, a São Francisco também adquiriu da Viação Nossa Senhora da Conceição, a linha intermunicipal 439I (Nilópolis x Mesquita). A São Francisco também chegou a operar a linha municipal de Mesquita Delamare x Edson Passos

Reestruturação

Pintura no início da década de 2000. Foto: Sydney Júnior

Visando se reestruturar, a São Francisco vendeu as linhas, com exceção da 439I, que havia adquirido da Viação Nossa Senhora da Conceição. O Grupo MVR, proprietária das empresas Mirante e Vila Rica passou a operar as linhas.

Uma curiosidade, é que a Expresso São Francisco, quando ainda era dona da Fábrica de Pólvora x Nova Iguaçu, transformada em linha intermunicipal após a emancipação de Mesquita, solicitou autorização junto ao Departamento de Transportes Rodoviários – DETRO, para ampliar a linha até o Hospital da Posse, alterando assim a denominação da linha para 461I – Fábrica de Pólvora x Hospital da Posse. Após a aquisição, o Grupo MVR voltou a operar a linha até o Centro de Nova Iguaçu.

As mudanças não param por aí, em 2000, a empresa adquiriu um terreno de cinco mil metros quadrados, em frente a garagem, que serve como pátio de estacionamento dos ônibus, além de instalação de bombas eletrônicas de abastecimento.

Nova fase

O investimento da São Francisco na qualidade dos serviços e a atenção dedicada a cada detalhe da operação, impulsionaram o crescimento da empresa, de forma a atender à demanda de seus clientes.A sede atual da São Francisco é localizada no bairro Santos Dumont, em Nilópolis. É composta por dois espaços: a sede tem 15 mil metros quadrados e lá funciona uma estação de tratamento e reuso das águas da chuva e lavagens dos veículos, assim como uma estação de tratamento de esgoto. Já a segunda garagem, possui 4 mil metros quadrados e funciona em frente da sede.

São Francisco na Barra da Tijuca…só que não

Em 1998 a empresa chegou a ganhar a concessão de uma linha ligando o município de Queimados à Barra da Tijuca, porém uma liminar e uma posterior perda no processo impediu a empresa de operar a referida linha. Os ônibus adquiridos para operar a linha eram, até então os mais modernos adquiridos, eram os modelos Padron Cidade II, encarroçados pela Companhia Industrial de Ferro e Alumínio – Ciferal e possuíam piso do tipo taraflex e poltronas ergonômicas, além do sistema de sonorização ambiente. Com a derrota na Justiça, a empresa distribuiu os veículos nas linhas municipais Soares Neiva x Rodoviária e Delamare x Centro.

Turismo

Foram adquiridos dos ônibus rodoviários para atuar no setor de turismo. Foto: Acervo Sydney Junior

Em uma tentativa de criar um setor de fretamento e turismo, a empresa adquiriu da empresa Rodoviária Âncora Matias duas unidades do modelo Nielson Diplomata, com chassi Scania. A empresa manteve o desenho de gaivota fazendo apenas alterações nas cores verde e azul.

Unindo Nilópolis e Nova Iguaçu

Quando Mesquita era o quinto distrito de Nova Iguaçu, a Expresso São Francisco era uma das empresas que ligavam Nilópolis até aquele município. Com a emancipação de Mesquita, ocorrida em 1999, houve um corte nessa ligação. A linha 439I (Nilópolis x Mesquita) já não ia mais até Nova Iguaçu.

A pintura atual. Foto: Guilherme Costa

O reestabelecendo dessa ligação veio alguns anos depois. No início dos anos 2000, a Expresso São Francisco solicitou ao DETRO a expansão da linha 439I até o município de Nova Iguaçu, porém o órgão só aceitou que a linha fosse até a divisa entre Mesquita e Nova Iguaçu, no bairro de Juscelino. Ainda não era dessa vez, que a São Francisco iria juntar nilopolitanos e iguaçuanos.

A solução veio mais a frente, ainda na década de 2000, a São Francisco passa a operar a linha 431. Era uma linha nova e que ligaria, finalmente, Nilópolis à Nova Iguaçu. Ainda em fase de transição, alguns carros circulavam com a numeração 431I, porém só iam até Juscelino. A solução foi voltar a rodar a linha 439I com seu trajeto original, ou seja Nilópolis x Mesquita e a 431I rodava como Nilópolis x Nova Iguaçu.

No início, a 431I tinha poucos ônibus e aos poucos, a demanda foi aumentando e o processo se inverteu. Hoje a 439I tem no máximo dois ônibus e a 431I roda com seus ônibus sempre cheios.

Com a criação da 431I, a Expresso São Francisco consolidou o seu domínio no eixo Nilópolis x Chatuba x Mesquita, região hoje dividida com o Grupo MVR.

Linhas municipais sofreram mudanças

Na década de 90, a Prefeitura de Nilópolis resolveu promover alterações nas linhas municipais. Itinerários foram ampliados e outros criados. Confira abaixo as alterações:

Augusto Paris x Centro foi extinta;
Maria Braga x Centro foi expandida para o bairro Cabral;
Nova Cidade x Centro foi unificada com a Paiol x Centro (Via Olinda)
Torre da Light x Centro foi transformada em Pedro Álvares Cabral x Novo Horizonte.

Atualmente a empresa opera as seguintes linhas

Municipais

01 Rodoviária x Soares Neiva

02 Cabral x Paiol

03 Pedro Alvares Cabral x Novo Horizonte

04 Nova Cidade x Olinda

05 Prefeitura x Nova Cidade

06 Cabral x Maria Braga

07 Centro x Paiol

07B Centro x Alto Cabuis

Intermunicipais

431I Nilópolis x Nova Iguaçu

439I Nilópolis x Mesquita

180I Nova Iguaçu x Japeri

 

Texto de Édipo Henrique e André Moreira, usando fragmentos de pesquisas na Internet

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