Os usuários do transporte público municipal de Nilópolis passarão a pagar mais pela passagem de ônibus a partir desta segunda-feira (2). A Prefeitura publicou no Diário Oficial do Município de 30 de outubro de 2026 o Decreto Municipal nº 5.616, que autoriza o reajuste da tarifa das linhas municipais para R$ 5,95.
Atualmente fixada em R$ 5,50, a passagem terá um acréscimo de R$ 0,45, o que corresponde a um reajuste de 8,18%. De acordo com o decreto, o novo valor passa a valer a partir da 0h do dia 2 de novembro de 2026.
A medida também foi comunicada pelas empresas Expresso São Francisco e Nilopolitana, responsáveis pela operação das linhas municipais que atendem os passageiros dentro do município.
Prefeitura cita equilíbrio econômico-financeiro
Segundo o decreto assinado pelo prefeito Abraão David Neto, a administração municipal afirma que o reajuste busca assegurar a continuidade e a qualidade do serviço prestado à população. O documento destaca ainda a necessidade de manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do sistema diante dos custos de operação e manutenção do transporte coletivo.
O decreto também menciona que cabe ao município garantir um serviço adequado aos usuários, conciliando a prestação do serviço com a sustentabilidade da operação.
“O reajuste da tarifa do transporte público municipal para R$ 5,95 atende a previsões contratuais de recomposição inflacionária e equilíbrio econômico. A medida é necessária para manter a viabilidade operacional do sistema, garantindo a continuidade da prestação do serviço pelas concessionárias locais, a manutenção da frota e a preservação das gratuidades previstas em lei.”
Comparação com outras tarifas da Região Metropolitana

Mesmo com o reajuste, a nova tarifa municipal de Nilópolis permanecerá abaixo do valor praticado em grande parte das linhas intermunicipais da que circulam em Nilópolis. Enquanto a passagem municipal passará para R$ 5,95, a maior parte das linhas intermunicipais opera atualmente com tarifa modal de R$ 6,70, após reajuste autorizado pelo Detro-RJ, em fevereiro deste ano.
Em comparação com a capital fluminense, a tarifa municipal de Nilópolis ficará acima da cobrada nos ônibus da cidade do Rio de Janeiro. Atualmente, a passagem dos ônibus municipais cariocas é de R$ 5,00, mesmo valor aplicado aos serviços de BRT, VLT e vans municipais.
Com isso, a tarifa de Nilópolis ficará R$ 0,95 mais cara que a tarifa municipal do Rio de Janeiro e R$ 0,75 mais barata que a tarifa modal das linhas intermunicipais da Região Metropolitana.
Linhas que terão a tarifa reajustada
Com a entrada em vigor do decreto, as seguintes linhas municipais passarão a operar com a tarifa de R$ 5,95:
Nilopolitana
001 Mirandela x Cabral
002 Manoel Reis x Rodoviária
Expresso São Francisco
01 Soares Neiva x Rodoviária
02 Paiol de Pólvora x Cabral
03 Novo Horizonte x Pedro Álvares Cabral
04 Nova Cidade x Paiol de Pólvora
05 Nova Cidade x Prefeitura
06 Maria Braga x Cabral
07 Paiol de Pólvora x Centro
Medida afeta milhares de passageiros
O reajuste impacta os usuários que utilizam diariamente as linhas municipais para deslocamentos entre os bairros da cidade. O novo valor será aplicado em todas as viagens realizadas pelas linhas contempladas pelo decreto, operadas pelas empresas Nilopolitana e Expresso São Francisco.
Entre o ponto de ônibus e o orçamento doméstico, o impacto do aumento da tarifa deixa de ser uma simples estatística de mobilidade urbana para se tornar um desafio diário na mesa das famílias nilopolitanas. Ao saber do reajuste de R$ 5,50 para R$ 5,95 nas linhas municipais, Dona Maria Silva,moradora do Cabral, expressa o sentimento comum de quem sente o peso de cada centavo a mais no fim do mês:
“Como é que a gente faz, meu filho? Sair de R$ 5,50 para R$ 5,95 parece pouco na moeda, mas no final do mês pesa demais na mesa. Eu pego dois ônibus por dia para ir trabalhar e fazer compras. O salário não sobe nesse ritmo, mas a passagem não falha.”
Para quem está em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho, o custo do transporte público representa uma barreira real, transformando o ato de procurar emprego em uma conta difícil de fechar. Carlos Eduardo Pereira,morador do Paiol de Pólvora, relata a rotina de quem precisa encarar a espera nos pontos e o peso de cada viagem no orçamento:
“Sair do Paiol até o Centro já exige paciência com a demora dos carros, e agora ter que pagar R$ 5,95 por cada pernada fica puxado. Para a gente que tá buscando emprego e fazendo entrevista, cada centavo faz falta.”
Especialistas comentam o reajuste
Ao analisar o cenário, especialistas em mobilidade urbana ressaltam que o impacto das tarifas no bolso do trabalhador nilopolitano reflete um desafio amplo, observado em diversas regiões do Brasil. A dependência exclusiva da catraca para custear o sistema é apontada como a principal causa da pressão sobre os usuários:
“Todo o discurso de achar que a tarifa de catraca deve ser a única base de custeio do sistema é um modelo falido. Quando você foca no aumento por centavos e multiplica pelas 44 viagens mensais do trabalhador, a conta resulta em R$ 30 ou R$ 40 a mais por mês. Isso equivale a um ou dois almoços populares a menos na mesa de uma família de baixa renda. O grande erro no Brasil é continuar exigindo que o passageiro financie a operação sozinho, em vez de buscar fontes públicas e transparentes de financiamento para o sistema”, diz o pesquisador e especialista em Mobilidade Urbana, Rafael Calabria.
O professor Marcus Quintella, da FGV Transportes, concorda:
“O transporte público no Brasil compromete uma parcela desproporcional da renda familiar, atingindo até 20% do orçamento das famílias mais vulneráveis nas cidades. A dependência da arrecadação nas catracas gera um círculo vicioso: a tarifa sobe, o passageiro pagante abandona o ônibus, o sistema perde receita e, logo em seguida, precisa de um novo reajuste.”
O sindicato que representa as empresas de transporte urbano justifica que a atualização cumpre disposições legais e garante a manutenção da operação na cidade:
“A atualização tarifária é indispensável frente à alta contínua dos custos operacionais — principalmente óleo diesel, peças, pneus e reajustes salariais da categoria dos rodoviários. Sem o reajuste de R$ 5,50 para R$ 5,95, o sistema entraria em desequilíbrio econômico-financeiro grave, comprometendo o quadro de horários, a manutenção dos veículos e o atendimento aos passageiros do município. É preciso compreender a mecânica dos custos operacionais do transporte urbano nas cidades da Baixada Fluminense. Cidades com pequena extensão territorial, como Nilópolis, enfrentam um desafio estrutural: viagens mais curtas não significam necessariamente custos proporcionalmente menores por passageiro. O custo fixo de manter veículos rodando — pagamento de motoristas, encargos sociais, licenciamento e frota reserva — é exatamente o mesmo. Com a perda gradual de demanda de passageiros pagantes e a elevação dos insumos, o reajuste tarifário se torna o único mecanismo disponível para garantir a prestação continuada do serviço.“















