Emancipação de Nilópolis e seu desenvolvimento urbano após 1947

1947 – 2000


N o dia 21 de agosto de 1947, Nilópolis finalmente corta as amarras que a prendiam a Nova Iguaçu e, pela Lei Estadual nº 67, art. 7º do Ato das Disposições Transitórias, promulgada em 20 de junho de 1947, através da emenda proposta pelo deputado Lucas de Andrade Figueira, conquista sua emancipação político-administrativa.

Porém, nessa emancipação cometeu-se uma flagrante injustiça: sendo originalmente uma área de 22 quilômetros quadrados — correspondente à antiga Fazenda São Matheus — Nilópolis ficou reduzida a apenas 9 quilômetros quadrados, perdendo 5,60 quilômetros para Nova Iguaçu.

A perda da área de Gericinó deveu-se à não retirada da cerca construída por João Alves Mirandela, o que permitiu aos seus detentores derrubar a cerca interna e manter a externa como divisa. Enquanto isso, os herdeiros do espólio buscavam na justiça a reintegração da área de 5,60 quilômetros quadrados.

Do lado de São João de Meriti, a delimitação da cidade foi feita pelas torres de sustentação da rede elétrica (onde hoje está a Via Light), quando deveria ter sido pela linha férrea, abrangendo Éden, Tomazinho, São Mateus e adjacências — todos localizados à margem esquerda da linha. Finalmente, houve a perda de 1,80 quilômetros quadrados para Nova Iguaçu, já que a divisa foi fixada no Rio Sarapuí e não no Rio Cachoeira, fazendo com que Nilópolis perdesse a região da Chatuba, que historicamente lhe pertence.


Enquanto Isso…

  • ¦ 1948 ¦Um grupo formado por Milton de Oliveira, Edson Vieira Rodrigues, Helles Silva, Walter da Silva, Hamilton Floriano e José Fernandes, resolveu formar um bloco que depois de várias discussões, por sugestão de Dona Eulália de Oliveira, mãe de Hamilton, recebeu o nome de Beija-Flor, nascia então a famosa Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis.
  • ¦ 1949 ¦É criado o Parque Sara Areal, em Nova Cidade.

Com sua identidade própria, Nilópolis passou a estruturar-se como cidade: surgiu a comarca, a prefeitura, formou-se a primeira Câmara de Vereadores e instalou-se a Delegacia. Em 1952, Gonçalo e Orlando Hungria fundaram o jornal A Voz dos Municípios Fluminenses, que se tornou o órgão oficial de imprensa do município, se mantendo assim até os dias atuais.

Foram construídos a Igreja de São Sebastião, em Olinda, o Hospital Municipal, a Academia de Letras, o Fórum, além de bancos. O comércio expandiu-se, tendo como destaque o calçadão da Avenida Mirandela.


Enquanto Isso…

  • ¦ 1957 ¦Luiz Rodrigues Cavalcante Filho, Abel Magalhães Castelo e Waldemir Antonio Pereira fundam a empresa de ônibus Nilopolitana.

É Fundado conforme documentos existentes no Cartório do 3º Ofício da Comarca Municipal, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, em 1959, o Corpo de Bombeiros Voluntários do Estado do Rio de Janeiro (antigo Estado da Guanabara). Em 1962 a cidade também passa a contar com a Academia Nilopolitana de Letras.

Em 1º de abril de 1960, foi fundado o Colégio Olindense, no bairro de Olinda. Os transportes também passaram a se organizar melhor, e a cidade passou a contar com mais linhas ligando-a a outras localidades e à capital. Finalmente, a Prefeitura ganhou uma sede própria: na esquina entre a Avenida Mirandela e a Rua João Pessoa foi inaugurada, em 1966, a sede do Executivo Municipal, tendo como prefeito o Dr. João Batista da Silva e como Presidente da Câmara Municipal o vereador Angelo Júlio Chambarelli.

Em 6 de abril de 1967, o imigrante italiano Giuseppe Grosso adquiriu dois ônibus da empresa Transportes Vilma, que operava a linha Soares Neiva–Nilópolis. Esse foi o marco da fundação da Expresso São Francisco, batizada em homenagem ao santo de sua devoção, São Francisco de Paola. As cores escolhidas para a frota — vermelho, verde e branco — refletiam a bandeira italiana e simbolizavam o vínculo do fundador com suas origens. Em 1979a empresa expande sua atuação ao adquirir a empresa Nossa Senhora da Conceição, passando a a operar linhas municipais em Nova Iguaçu, que após a emancipação de Mesquita se tornaram intermunicipais.


Enquanto Isso…

  • ¦ 1979 ¦É rodado em Nilópolis, o filme “A Criação do Mundo na Tradição Nagô” que contava nas telas o enredo campeão da Beija-Flor no ano anterior.
  • ¦ 1979 ¦É inaugurado o Terminal Rodoviário de Nilópolis.
  • ¦ 1980 ¦A creche Julia Abrão David começou a funcionar em maio de 1980 com 60 menores.

Após 45 anos de sua primeira formação, a Câmara Municipal de Nilópolis passa a contar com uma sede própria, tendo como presidente o vereador Adilson Farias da Silva e prefeito Dr. Jorge David, o imóvel de dois pavimentos é inaugurado em 1992,na  Av. Mirandela, 393, no mesmo terreno onde funcionava a sede da Prefeitura.

A inauguração da Escola Municipal de Música Professor Weberty Bernardino Aniceto em 18 de Agosto de 1995, pelo então prefeito Manoel Rosa, pode ser considerado um marco para a cultura nilopolitana, sendo ela a única da Baixada Fluminense.

Em 1997, é comemorado o cinquentenário da emancipação de Nilópolis, tendo como prefeito Sr. José Carlos Soares da Cunha e presidente da Câmara Municipal o vereador José Reginaldo de Oliveira.

Com a inauguração da Via Light em 15 Agosto de 1998, os moradores da cidade ficaram mais perto do Metrô da Pavuna e diminuíram o tempo de viagem até o Rio e Nova Iguaçu. Até as eleições foram modernizadas com a adoção da Urna Eletrônica na eleição de 4 de Outubro de 1998para a escolha de deputados estaduais e federais. Também em 1998, no dia 10 de agosto, é empossado, pelo então prefeito José Carlos Soares da Cunha, em solenidade no Centro Cultural, o primeiro Conselho Tutelar de Nilópolis.

Com o aumento da população também surgem as preocupações com o desemprego, pensando nisso o então Secretário Estadual do Trabalho, Marco Maranhão inaugura o Centro de Oportunidades no Centro de Defesa da Cidadania em 15 de Dezembro de 1998.


Enquanto Isso…

  • ¦ 1999 ¦É assinado o Decreto de Tombamento do Prédio da Loja Maçônica União de Iguassú, da Sinagoga Israelita, do Palacete Queiróz Lopes, da Capela de São Matheus, da Igreja Nossa Senhora da Conceição e da Igreja de São Sebastião.

E os shoppings finalmente chegaram a cidade quando em julho de 2000 o Shopping Nilópolis Square abriu suas portas no Centro. Neste mesmo ano é inaugurada a Escola Municipal de Capoeira Mestre Pastinha e a Escola Municipal de Dança Ana Pavlova pelo então prefeito José Carlos Soares da Cunha. Também é em 2000, que o Frei Vitalino Piaia, pároco da Igreja Nossa Senhora da Aparecida deixa a Paróquia, depois de 10 anos de realizações e transformações. A sua passagem marcou a história da igreja católica em Nilópolis.

Mas nem tudo são notícias boas na história de Nilópolis. Na noite de 18 de fevereiro de 2000, uma sexta-feira, o bairro de Olinda parecia um cenário de guerra. A Distribuidora de Fogos Olindense e o Bazar Santana de Olinda, localizados na Rua Getúlio de Moura, explodiram, devastando um quarteirão inteiro.

A explosão aconteceu às 21h30, horário em que a loja já estava fechada, assim como o comércio vizinho, evitando que a tragédia fosse ainda maior. Outras sete lojas do calçadão de Olinda também foram atingidas.

O saldo da tragédia foi de pelo menos 29 pessoas feridas e muitos prejuízos materiais. Após o ocorrido, a Prefeitura, junto com o governo estadual, pagou indenizações aos moradores atingidos, mas nem todos conseguiram retomar a vida normal.

No local devastado pela explosão, a Prefeitura realizou obras de reurbanização e construiu um imóvel que deveria ser ocupado pela Câmara Municipal, mas acabou tendo outro destino: tornou-se a sede do Tribunal Regional do Trabalho de Nilópolis.

O Nilópolis Online fez todos os esforços para apurar os fatos apresentados nos textos, buscando fontes oficiais e extraoficiais, como relatos e materiais enviados por leitores. Caso você queira colaborar conosco, por favor envie uma mensagem para o e-mail contato@nilopolisonline.com.br ou para o WhatsApp (21) 98946-3738.

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N o dia 18 de fevereiro de 2000, uma sexta-feira, o bairro de Olinda transformou-se em um verdadeiro cenário de guerra. A Distribuidora de Fogos Olindense e o Bazar Santana de Olinda, localizados na Rua Getúlio de Moura, explodiram, devastando um quarteirão inteiro. O estrondo foi ouvido em um raio de quatro quilômetros, as chamas ultrapassaram três metros de altura e as casas estremeceram. A loja foi totalmente destruída, e os fogos de artifício atingiram diversos carros estacionados nas imediações. Um veículo incendiou-se e outros, que passavam pelo local, foram atingidos por estilhaços.

A passarela da SuperVia e várias casas do outro lado da linha férrea também foram afetadas, algumas com janelas arrancadas das paredes. Uma mulher foi resgatada com vida pelos bombeiros. A explosão ocorreu às 21h30, horário em que a loja já estava fechada, assim como o comércio vizinho, o que evitou que a tragédia fosse ainda maior.

A destruição atraiu vândalos, que se passando por moradores da área, tentaram saquear o Supermercado RedeEconomia, localizado ao lado da distribuidora. Outras sete lojas do calçadão de Olinda também foram atingidas. A polícia precisou pedir reforços para conter as tentativas de invasão.

Vinte bombeiros dos quartéis de Ricardo de Albuquerque (extinto), Nilópolis e São João de Meriti foram os primeiros a chegar ao local, mas tiveram que solicitar apoio, pois não conseguiam controlar as chamas, que só foram totalmente contidas no início da manhã do dia 19.

O saldo da tragédia foi de pelo menos 29 pessoas feridas e inúmeros prejuízos materiais. Após o ocorrido, a Prefeitura, em conjunto com o governo estadual, pagou indenizações aos moradores atingidos, embora nem todos tenham conseguido retomar a vida normal.

No espaço devastado pela explosão, a Prefeitura de Nilópolis realizou obras de reurbanização e construiu um imóvel, que mais tarde serviu de sede para secretarias e uma biblioteca. Atualmente é a sede do Tribunal Regional do Trabalho.

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