História da Expresso São Francisco

1967 – Atualmente


Ônibus da Expresso São Francisco na década de 1950. Foto: Reprodução da Internet
Ônibus da Expresso São Francisco na década de 1950. Foto: Reprodução da Internet

No fim da Segunda Guerra Mundial, muitos italianos deixaram sua pátria em busca de novas oportunidades. O Brasil tornou-se destino de milhares deles, oferecendo segurança e a chance de construir um futuro. Entre esses imigrantes estava Giuseppe Grosso, que se tornaria um nome de tradição no transporte coletivo, como fundador da Expresso São Francisco.

Aos 16 anos, Giuseppe embarcou em um navio rumo ao Brasil. Foram 14 dias de viagem até chegar a um país de língua e costumes diferentes. Para quem já havia enfrentado as dificuldades de uma Itália devastada pela guerra — caminhando descalço cerca de 10 quilômetros até a escola — os obstáculos não eram novidade.

Antes de se firmar no transporte, trabalhou em uma fábrica. Depois, juntando economias guardadas em uma caixinha — preservada até hoje em seu escritório — fez sociedade para comprar um carrinho de mão, o “burro sem rabo”, e passou a entregar mercadorias na Praça XV.

Com persistência, adquiriu seu primeiro caminhão, velho mas resistente. Dois anos depois, ousou comprar um caminhão novo, à prestação. Foi o primeiro veículo zero quilômetro visto no mercado da Praça XV, e Giuseppe não escondia o orgulho. A estrada passou a ser sua vida.

Do caminhão ao ônibus foi um passo natural. Soube que a empresa Rápido Brasileiro trabalhava com ônibus agregados, cada um pertencente a um dono diferente. Persistente, fez plantão na garagem até conseguir seu primeiro veículo, o ônibus nº 22. Pouco depois, adquiriu o nº 30. Vieram os primeiros desafios: um acidente logo no primeiro dia de trabalho do motorista contratado e o roubo de peças caras. Giuseppe chorou, mas não desistiu. Lembrou-se da promessa feita ao pai antes de deixar a Itália: manter a dignidade e vencer.

Já com dois ônibus agregados, recebeu a notícia da morte do pai. Pensou em desistir, mas decidiu apostar alto: comprou dois ônibus da Transportes Vilma, que operava a linha Soares Neiva–Nilópolis, e fundou sua própria empresa. Assim, em 6 de abril de 1967, nasceu a Expresso São Francisco, batizada em homenagem ao santo de sua devoção – São Francisco de Paola. As cores da frota — vermelho, verde e branco — refletiam a bandeira italiana.

Em 1972, já operava cinco ônibus em duas linhas. Pouco depois, adquiriu a Viação Nilópolis, com dez veículos, dos quais apenas três estavam em condições de uso. Vieram novos sócios e novas conquistas: em 1979, comprou a Nossa Senhora da Conceição e passou a operar linhas municipais em Nova Iguaçu, que após a emancipação de Mesquita se tornaram intermunicipais.

Nos anos 2000, a frota ganhou nova pintura: mantiveram-se as cores da Itália, mas foram acrescentados azul e dois beija-flores, em homenagem à Beija-Flor de Nilópolis. A empresa também expandiu sua infraestrutura, adquirindo um terreno de 4 mil m² para estacionamento e abastecimento.

A partir de 2005Com a chegada dos ônibus Neobus Spectrum e Thunder+, surgiu a ideia de apelidar os veículos: “Charmosos” e “Fofinhos”. Embora a prática não tenha seguido adiante, marcou uma fase de inovação e identidade própria.

Em fevereiro de 2026, o ano foi marcado por mais uma expansão da Expresso São Francisco. Após o Departamento de Transportes Rodoviários do Rio de Janeiro (DETRO-RJ) determinar a intervenção nas operações da empresa Master Transportes Coletivos de Passageiros, parte de suas linhas foi redistribuída. Nesse contexto, a São Francisco assumiu, em conjunto com a Viação São José, a operação da linha 138-I (Nilópolis – Duque de Caxias, via Mirandela/Pavuna). Assim a São Francisco passa a operar pela primeira vez uma linha de ônibus dentro da capital fluminense e no município de Duque de Caxias.

A sede atual da Expresso São Francisco é localizada no bairro Santos Dumont, em Nilópolis. É composta por dois espaços: a G1 (garagem 1) tem 15 mil metros quadrados e lá funciona uma estação de tratamento e reuso das águas da chuva e lavagens dos veículos, assim como uma estação de tratamento de esgoto. Já a segunda garagem, possui 4 mil metros quadrados.

Hoje, a empresa atua além de Nilópolis, também em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Mesquita, Nova Iguaçu e Japeri.

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