Da Fazenda São Mateus ao Povoado

1900 – 1914


Poucos anos após a compra da Fazenda São Matheus por João Alves Mirandela e seu irmão Manuel Alves Mirandela, grandes criadores de animais para o Exército, os dois cercaram uma área próxima à fazenda do Gericinó. Em 1913, Vitor Ribeiro de Faria Braga, enteado de João Alves Mirandela, convenceu-o a desmatar a propriedade para um possível loteamento. Parte da fazenda, onde havia mata, foi usada para o futuro empreendimento e ainda no final daquele ano, jornais já anunciavam terrenos medindo 12,50m por 50,00m, oferecidos em suaves prestações.

Para dar forma ao projeto, João Alves Mirandela contratou o engenheiro da Central do Brasil, Theodomiro Gonçalves Ferreira, responsável por elaborar a planta da futura cidade que surgiria das matas da fazenda. Como a área pertencia a Iguassu, a planta precisou ser aprovada pela Prefeitura local.

Em 1914, teve início a comercialização dos lotes. Um dos anúncios colocado nos jornais, chamou a atenção do Coronel Júlio de Abreu, que veio pessoalmente conhecer a cidade em formação. Encantado, adquiriu diversos lotes e trouxe amigos influentes, com o objetivo de erguer uma cidade promissora.

Naquele período, a Primeira Guerra Mundial chegava ao fim e deixava como saldo inúmeras dificuldades, inclusive financeiras. Com a facilidade da venda dos lotes, importantes homens de negócios não hesitaram em adquiri-los, fixando-se na região.

Foi justamente o Coronel Júlio de Abreu quem construiu a primeira casa de pedra e cal, batizada de Vila Ema em homenagem à sua esposa. A residência foi inaugurada festivamente em 6 de setembro de 1914, com a presença de comerciantes, banqueiros, políticos e homens públicos ligados ao Rio de Janeiro. Esse evento é considerado o marco da fundação da cidade de Nilópolis. O imóvel localizava-se em frente à ferrovia da Estrada de Ferro Central do Brasil e à parada São Matheus, plataforma destinada ao embarque e desembarque do trem a vapor que passava por ali. Segundo documentos, a localização da Vila Ema seria nas proximidades de onde hoje está situada a Praça Prefeito Miguel Abrão.

A classe menos favorecida também conseguiu adquirir lotes menores e mais baratos. Rapidamente, a fazenda transformou-se em um povoado ainda denominado São Matheus, integrado a São João de Meriti, então 4º distrito de Nova Iguaçu. As construções se multiplicaram e, dos quintais e pomares, avistavam-se extensas plantações de laranjas, cuja venda tornou-se uma das primeiras fontes de renda dos moradores. Há relatos de que muitas famílias quitaram seus terrenos com o lucro obtido da comercialização das frutas.

Com o crescimento, os proprietários dos lotes mais extensos passaram a pensar no progresso. A primeira iniciativa foi fundar uma escola. Em um moderno prédio recém-construído, o professor Franklin de Carvalho instalou o Externato Nilo Peçanha, inaugurado em 13 de junho de 1914 com 19 alunos.

O povo já tinha trabalho e estudo, mas faltava o lazer. Foi então que um morador, Inácio Vicente Serra, teve a ideia de realizar a primeira festa em louvor a São Matheus, na capela que levava seu nome.

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